15/Oct/2026
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda global por petróleo deverá recuar mais do que o previsto em 2026, pressionada pela guerra com o Irã, pelo encarecimento dos combustíveis e pela deterioração das perspectivas econômicas. A projeção de retração média do consumo mundial foi reduzida para 2,6 milhões de barris por dia (bpd), ante a estimativa anterior de queda de 2,5 milhões de bpd. Para o quarto trimestre, a agência prevê redução de 2,5 milhões de bpd na comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da contração da demanda, o mercado global deverá permanecer deficitário até o fim de 2026, diante das restrições de oferta, especialmente de derivados médios, como o diesel. Segundo a AIE, o combustível responderá por aproximadamente 25% da redução da demanda global de petróleo no ano, enquanto sua disponibilidade continuará sob forte pressão.
A combinação de oferta limitada e dificuldades de abastecimento de derivados mantém o mercado vulnerável, mesmo diante da perspectiva de menor consumo mundial. Pelo lado da oferta, a recuperação permanece sujeita a riscos associados a novos ataques à infraestrutura energética e ao tráfego de petroleiros no Golfo Pérsico. A produção global aumentou 2,5 milhões de bpd em setembro, na comparação com agosto, alcançando 102,3 milhões de bpd, impulsionada principalmente pelos produtores do Golfo. A Opep+ respondeu por um aumento de 2,1 milhões de bpd, liderado pela Arábia Saudita, enquanto os Emirados Árabes Unidos foram responsáveis pela maior contribuição entre os produtores de fora do grupo. Apesar da recuperação mensal, a média anual da oferta global deverá cair 5,8 milhões de bpd em 2026, para 100,7 milhões de bpd.
Para 2027, a AIE projeta retomada da produção, com crescimento de 7,7 milhões de bpd. A expansão prevista, entretanto, não elimina os riscos de interrupções no abastecimento, uma vez que a infraestrutura energética e as rotas marítimas permanecem expostas aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. A demanda deverá apresentar recuperação parcial em 2027, com crescimento estimado em cerca de 2 milhões de bpd. Mesmo com esse avanço, o consumo mundial permanecerá 620 mil bpd, ou 0,6%, abaixo do nível registrado em 2025. A combinação de recuperação limitada do consumo e expansão projetada da oferta poderá alterar o balanço global ao longo do próximo ano, com possibilidade de formação de superávit, desde que as condições de produção e transporte permitam a recomposição dos fluxos comerciais.
Os estoques globais também indicam restrições no balanço do mercado. As reservas observadas recuaram 10 milhões de barris em setembro, após uma redução de 113 milhões de barris nos estoques em terra, parcialmente compensada pelo aumento do volume de petróleo armazenado no mar. Ao fim do mês, os estoques globais estavam 509 milhões de barris abaixo dos níveis anteriores à guerra. As reservas em terra atingiram os menores patamares desde pelo menos 2016, reduzindo a capacidade de absorção de novas interrupções de oferta. No segmento de refino, a AIE projeta que a carga global das refinarias recue para uma mínima sazonal de 81,3 milhões de bpd em outubro, antes de avançar para 84,6 milhões de bpd até o fim do ano.
Os custos recordes de frete e do petróleo comprimiram as margens de refino na Europa e na Ásia. Nos Estados Unidos, por outro lado, a utilização de matérias-primas adquiridas com desconto contribuiu para elevar as margens a níveis inéditos, evidenciando diferenças regionais nas condições de abastecimento e rentabilidade do setor. A pressão sobre o mercado também se refletiu nos preços do petróleo físico. O Dated Brent, referência para o Brent no mercado à vista, avançou US$ 26,17 por barril em setembro, alcançando US$ 116,89 por barril. A alta ocorreu após a retomada das hostilidades no Oriente Médio e a aceleração das compras por refinarias asiáticas, em um contexto de preocupação com a disponibilidade de petróleo e a continuidade dos fluxos de abastecimento.
Sem uma solução para os conflitos, o mercado poderá enfrentar novos episódios de volatilidade nos próximos meses, antes da eventual formação de superávit em 2027. A perspectiva depende da evolução das tensões geopolíticas, da segurança da infraestrutura energética, da circulação de petroleiros e da capacidade dos produtores de recompor a oferta. Assim, mesmo com a retração prevista da demanda em 2026, os baixos estoques, as restrições de derivados e a recuperação ainda vulnerável da produção mantêm elevado o risco de novos choques de preços e abastecimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.