15/Oct/2026
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira (14/10), impulsionados pelas tensões persistentes no Oriente Médio e pelos riscos de interrupção do fornecimento da commodity. A possibilidade de agravamento do conflito envolvendo o Irã e as ameaças à navegação no Estreito de Ormuz mantêm o mercado atento à segurança dos fluxos de petróleo e derivados da região. Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, o petróleo Brent para dezembro subiu 0,35%, equivalente a US$ 0,37, e encerrou a US$ 106,06 por barril. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para novembro avançou 1,01%, ou US$ 0,95, para US$ 95,09 por barril. A pressão sobre os preços aumentou após o afundamento de um navio de carga que atingiu uma mina naval no Estreito de Ormuz, conforme informações da força naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Foi a primeira vez que Teerã relatou o afundamento de uma embarcação após contato com uma mina desde o início da guerra no Oriente Médio, há sete meses e meio.
As tensões também se intensificaram após o Ministério da Energia da Arábia Saudita informar que um prédio administrativo da Saudi Aramco em Dhahran, onde fica a sede da companhia, foi alvo de ataques na noite de terça-feira, provocando um incêndio limitado. A BOK Financial avalia que os participantes do mercado continuarão concentrados nos fluxos de petróleo provenientes do Oriente Médio e nos suprimentos de diesel que estariam sendo transportados da Rússia. A precificação dos contratos de vencimento mais próximo também reflete uma percepção maior de probabilidade de retomada de um conflito militar de grandes proporções envolvendo o Irã. Em meio à elevação dos preços da energia e às pressões sobre a oferta provocadas pela guerra, a Comissão Europeia propôs adiar por um ano a aplicação de determinadas exigências do regulamento da União Europeia (UE) sobre emissões de metano para importadores de combustíveis fósseis.
A iniciativa ocorre em um cenário de maior preocupação com a disponibilidade de energia e com os custos de abastecimento. No lado da demanda, a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê retração mais intensa do consumo global de petróleo em 2026, diante dos efeitos da guerra com o Irã, dos preços mais elevados dos combustíveis e da deterioração das perspectivas econômicas. Em relatório mensal divulgado nesta quarta-feira (14/10), a entidade revisou a estimativa de queda média da demanda mundial para 2,6 milhões de barris por dia, ante a projeção anterior de redução de 2,5 milhões de bpd. O mercado permanece condicionado pela combinação entre riscos geopolíticos à oferta, especialmente nas rotas estratégicas do Oriente Médio, e expectativa de enfraquecimento do consumo mundial. A evolução do conflito e a segurança da navegação no Estreito de Ormuz tendem a influenciar a volatilidade das cotações, enquanto combustíveis mais caros e menor atividade econômica podem limitar a demanda.