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15/Oct/2026

Etanol: questão tributária está no foco do mercado

Segundo o Itaú BBA, a agenda tributária deve concentrar as atenções do mercado de etanol no curto prazo, em meio à desoneração temporária da gasolina e às discussões sobre a política de subvenção ao biocombustível. A isenção de tributos federais sobre a gasolina, válida até 9 de novembro, abre espaço para eventual reajuste de preços pela Petrobras, uma vez que o impacto de uma alta seria parcialmente compensado pela redução tributária. A defasagem do preço da gasolina no mercado doméstico em relação às referências externas está estimada em R$ 0,60 por litro, após alcançar R$ 1,25 por litro no fim de setembro.

Nesse cenário, decisões tributárias e regulatórias devem influenciar a dinâmica do setor nas próximas semanas, tanto pela possibilidade de alterações nos preços dos combustíveis quanto pelos efeitos sobre a competitividade relativa do etanol. No mercado físico, os preços do etanol seguem em trajetória de valorização, sustentados pelas restrições à moagem no Centro-Sul em decorrência das chuvas e pela firmeza do consumo doméstico. A demanda interna permanece consistente, embora ainda abaixo do potencial, enquanto a redução do processamento de cana-de-açúcar contribui para limitar a oferta e sustentar as cotações.

No longo prazo, a continuidade desse cenário favorável dependerá do aumento do consumo de etanol pela frota de veículos flex, responsável por 32% do mercado, segundo o Itaú BBA. A ampliação da demanda desse segmento será relevante para consolidar o suporte aos preços e reduzir a dependência de fatores temporários de restrição da oferta. Entre as medidas recentes da agenda regulatória estão a flexibilização de obrigações e a ampliação do prazo da subvenção aos produtores de etanol hidratado, a aprovação da metodologia de cálculo do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) incidentes sobre combustíveis, além da isenção de tributos federais sobre a gasolina, acompanhada do aumento da subvenção ao etanol hidratado.

Essas iniciativas reforçam a importância das decisões fiscais e regulatórias para a formação dos preços e para as condições de competitividade entre os combustíveis. No mercado internacional, mudanças regulatórias também podem ampliar a demanda por etanol. Na Califórnia (EUA), a remoção de entraves à oferta de gasolina E15, mistura que contém 15% de etanol, pode abrir espaço para uma expansão potencial de 2,5 bilhões de litros na demanda pelo biocombustível. Na Indonésia, o governo avança nos preparativos para elevar gradualmente a proporção de etanol misturado à gasolina, com a meta de alcançar a mistura E50 em 2028. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.