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15/Oct/2026

Açúcar: fundos e riscos de oferta sustentam preços

Segundo o Itaú BBA, a posição líquida comprada dos fundos de investimento e os riscos de quebra de produção em regiões relevantes sustentam a perspectiva de valorização dos preços internacionais do açúcar, apesar da demanda física enfraquecida, que limita os prêmios no Brasil. As condições climáticas no Centro-Sul brasileiro devem orientar as cotações no curto prazo, enquanto os primeiros dados da safra indiana e as perspectivas para a temporada brasileira 2027/28 ganharão relevância nos próximos meses. Após o vencimento do contrato outubro/2026, os preços futuros do açúcar avançaram de forma expressiva. Na Bolsa de Nova York, o contrato março/2027, atualmente referência para o mercado, superou 21,00 centavos de dólar por libra-peso, após o vencimento outubro registrar preço médio de 17,91 centavos de dólar por libra-peso em setembro. Em Londres, a curva de preços futuros também apresentou fortalecimento. O movimento é sustentado pela posição líquida comprada dos fundos especulativos, que alcançou 212,6 mil contratos em 6 de outubro, maior nível em mais de três anos.

Os riscos climáticos no Brasil e a perspectiva de déficits de produção em importantes países fornecedores também contribuem para a sustentação das cotações. Nesse cenário, o mercado permanece sensível a notícias que indiquem deterioração da oferta, com potencial para desencadear novas altas. No Centro-Sul do Brasil, as chuvas atípicas associadas ao El Niño prejudicaram o ritmo de moagem em setembro. Usinas paulistas registraram perdas de oito a dez dias de processamento durante a quinzena. A continuidade das precipitações e seus efeitos sobre a colheita e a moagem serão determinantes para o comportamento dos preços no curto prazo, uma vez que interrupções mais prolongadas podem restringir a disponibilidade de açúcar. Na Europa, as perspectivas de menor produção também reforçam o viés de alta. A Comissão Europeia revisou a produtividade agrícola para 67,4 toneladas por hectare, abaixo das 77,7 toneladas por hectare estimadas em junho, antes da onda de calor e da seca. Diante da deterioração das condições produtivas, o Itaú BBA reduziu sua projeção para a produção de açúcar do bloco de 13 milhões para 12,6 milhões de toneladas.

Na Índia, os sinais de restrição da oferta se intensificaram. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu em 4,1 milhões de toneladas a estimativa de produção indiana de açúcar em 2026/27, para 29,5 milhões de toneladas. O volume está próximo da projeção do Itaú BBA, de 29 milhões de toneladas, baseada na premissa de desvio praticamente nulo de cana-de-açúcar para a produção de etanol. Essa perspectiva também considera rumores de que o governo indiano poderia proibir a utilização de caldo de cana e melaço na fabricação do biocombustível, o que alteraria a destinação da matéria-prima e a disponibilidade de açúcar. Apesar da valorização dos contratos futuros, o mercado físico brasileiro continua pressionado pela demanda pouco dinâmica. O açúcar FOB Santos registrou desconto médio de 42 pontos em setembro, enquanto as exportações brasileiras recuaram 17% em relação ao mesmo mês de 2025. Na China, as importações de açúcar somaram 2,3 milhões de toneladas de janeiro a agosto, último período com dados disponíveis, queda de 14% na comparação anual.

A fraqueza da demanda tende a limitar os prêmios do açúcar brasileiro, mas não necessariamente impede novas altas das cotações internacionais. A combinação entre fundos especulativos com posição comprada elevada e riscos de restrição da oferta mantém o mercado vulnerável a notícias negativas sobre a produção nos principais países fornecedores. Assim, a evolução dos preços externos pode continuar descolada do desempenho do mercado físico brasileiro. No horizonte de longo prazo, a atenção se volta para a safra brasileira 2027/28. Embora ainda seja prematuro estabelecer projeções precisas, é possível uma moagem próxima do recorde de 654 milhões de toneladas registrado em 2023/24. Naquela temporada, porém, as condições climáticas foram particularmente favoráveis, o que limita a utilização daquele resultado como referência direta para o próximo ciclo. O banco também considera que as usinas deverão continuar priorizando o ritmo de moagem, em vez de maximizar a proporção da cana destinada à fabricação de açúcar.

A capacidade produtiva de açúcar do Centro-Sul é estimada em 46 milhões de toneladas, mas o volume efetivamente realizável tende a ficar abaixo desse potencial. A avaliação depende tanto das incertezas relacionadas à safra 2026/27 quanto do volume de cana bisada, que permanece no campo para processamento no ciclo seguinte. As estimativas para essa matéria-prima variam de 19 milhões a 50 milhões de toneladas, amplitude que evidencia a incerteza sobre a disponibilidade de cana para a próxima temporada. O mercado internacional de açúcar combina, portanto, fatores de sustentação relacionados aos riscos climáticos e à redução das estimativas de produção em importantes regiões com limitações impostas pela demanda física. No curto prazo, o clima no Centro-Sul brasileiro e a evolução da moagem serão determinantes para as cotações. Mais adiante, a confirmação das safras da Índia e da Europa, além das condições produtivas e do volume de cana disponível no Brasil em 2027/28, deverá definir a capacidade de sustentação dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.