16/Oct/2026
Drones ucranianos atingiram uma refinaria na região russa de Ryazan na madrugada desta quinta-feira (15/10), no horário local, poucas horas depois de o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciar o encerramento de uma breve trégua nos ataques à infraestrutura energética. A iniciativa havia sido rejeitada pela Rússia e ocorre em um cenário de deterioração das relações entre Ucrânia e Estados Unidos. O ataque provocou um incêndio na unidade, localizada a cerca de 300 quilômetros de Moscou. A retomada dos ataques pode ampliar o desgaste entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Zelensky acusa a Rússia de manter os bombardeios contra a infraestrutura energética ucraniana, apesar do apelo feito por Trump no dia 11 de outubro para que os dois países suspendessem esse tipo de operação. A Ucrânia sustenta que respeitou a trégua, enquanto a Rússia continuou os ataques. Em entrevista ao Financial Times publicada nesta quinta-feira (15/10), o presidente ucraniano anunciou a retomada das ofensivas contra refinarias russas.
O presidente ucraniano também criticou a interrupção do fornecimento habitual de informações de inteligência ocidentais sobre mísseis balísticos russos e as restrições ao uso de terminais Starlink, considerados fundamentais para as operações militares da Ucrânia. As reclamações ocorrem após Donald Trump fechar um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para importar diesel da Rússia, apesar das sanções internacionais. Zelensky avalia que a medida poderá contribuir para que o governo russo mantenha o esforço de guerra, iniciado há mais de quatro anos e meio. Zelensky manifestou insatisfação com o acordo para a importação de diesel, a condução da trégua energética e as restrições à Starlink. O presidente ucraniano também demonstrou preocupação com a deterioração da parceria com os Estados Unidos, ao considerar que a posição norte-americana favorece a Rússia ou reduz o apoio à Ucrânia.
O presidente norte-americano, por sua vez, nega ter suspendido o compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia. Na tentativa de ampliar o apoio europeu, Zelensky seguiu para Bruxelas, onde deverá participar de uma cúpula da União Europeia (UE) nesta sexta-feira (16/10), após uma passagem por Londres. Na capital britânica, obteve promessas de assistência adicional do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, sinalizou divergência entre o bloco e a estratégia americana para o conflito. A posição europeia é de que a pressão internacional deve se concentrar sobre a Rússia, responsável pela invasão, e não sobre a Ucrânia para que aceite condições de rendição. Enquanto a Ucrânia retoma os ataques contra instalações de processamento de petróleo russas, uma ofensiva russa com drones, que durou mais de dez horas, deixou três mortos e seis feridos na região ucraniana de Kirovohrad, segundo os serviços locais de emergência.
Zelensky informou que a Rússia lançou mais de 850 drones entre a meia-noite e a manhã desta quinta-feira (15/10), atingindo 15 regiões ucranianas. O presidente ucraniano atribuiu a intensificação das ofensivas russas ao alívio das sanções e às tentativas de pressionar o país. A Força Aérea da Ucrânia informou ter interceptado 536 drones, mas registrou impactos em 31 localidades. O Ministério da Defesa russo, por sua vez, declarou ter derrubado 166 drones ucranianos e atingido duas embarcações que transportavam cargas militares. A retomada dos ataques a refinarias russas, somada à continuidade dos bombardeios contra o território ucraniano, reforça o risco de intensificação do conflito e amplia as divergências diplomáticas entre Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia. As incertezas sobre a cooperação militar e de inteligência entre Washington e Kiev também podem afetar a capacidade operacional ucraniana e a articulação de uma estratégia comum entre os aliados ocidentais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.