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16/Oct/2026

Petróleo: preços futuros fecham sem direção única

Os contratos futuros de petróleo fecharam sem direção única nesta quinta-feira (15/10), em um pregão marcado pelo ajuste de posições após a valorização da sessão anterior. A intensificação dos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia sustentou a volatilidade, enquanto a recuperação parcial dos fluxos de petróleo do Golfo Pérsico e a perspectiva de aumento da oferta global limitaram os movimentos de alta. O Brent para dezembro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, recuou 0,13%, ou US$ 0,14, para US$ 105,92 por barril. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para novembro avançou 3,03%, ou US$ 2,88, para US$ 97,97 por barril. O WTI registrou valorização mais acentuada durante a sessão, em meio à ausência de sinais consistentes de redução das tensões geopolíticas. No conflito entre Rússia e Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu retaliar os ataques ucranianos contra o setor energético russo, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sinalizou a continuidade das ofensivas contra refinarias do país vizinho.

Diante desse cenário, o Ministério de Energia da Rússia informou que avalia propostas para impor restrições às exportações de gás liquefeito de petróleo (GLP), acrescentando incertezas sobre a disponibilidade de combustíveis no mercado internacional. No Oriente Médio, a coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído um míssil sobre a província de Medina, sem atribuir responsabilidade pelo ataque. O porta-voz militar dos Houthis negou o envolvimento do grupo na ação. As tensões também permaneceram elevadas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo. Nesse contexto, os Estados Unidos estariam elaborando novos planos de ataque contra o Irã, incluindo a possibilidade de utilizar a chamada ‘mãe de todas as bombas’ contra instalações de infraestrutura energética iraniana. Apesar da persistência dos riscos geopolíticos, a oferta proveniente do Golfo Pérsico apresenta recuperação parcial. Analistas do ING avaliam que os fluxos de petróleo da região aumentaram e já correspondem a aproximadamente 70% a 75% dos níveis anteriores à guerra. A retomada reduz parcialmente as preocupações com interrupções prolongadas do abastecimento, embora a continuidade dos conflitos e os riscos associados ao Estreito de Ormuz mantenham o mercado sensível a novos incidentes.

Nos Estados Unidos, os estoques semanais de petróleo recuaram 8,557 milhões de barris, queda muito superior à prevista pelo mercado. Os estoques de diesel também diminuíram, enquanto os de gasolina aumentaram, contrariando as expectativas de redução. A combinação de queda expressiva dos estoques de petróleo e diesel com a alta das reservas de gasolina produziu sinais distintos sobre o equilíbrio entre oferta e demanda de derivados no mercado norte-americano. Pelo lado da oferta global, a Agência Internacional de Energia (AIE) concordou em acelerar a liberação de aproximadamente 100 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas, volume cuja disponibilização havia sido anunciada pelo G7 no início de outubro. A medida amplia a oferta disponível no mercado e atua como fator de contenção dos preços, em contraposição aos riscos de interrupção do abastecimento provocados pelos conflitos. Assim, a evolução das cotações permanece condicionada ao equilíbrio entre as ameaças geopolíticas, a recuperação dos fluxos de petróleo do Golfo Pérsico, os indicadores de estoques dos Estados Unidos e a liberação de reservas estratégicas.