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19/Oct/2026

Cana: projeção da moagem 2026/27 no Centro-Sul

A XP Investimentos reduziu em 12,4 milhões de toneladas sua estimativa de moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27, para 613,5 milhões de toneladas. A projeção para a produção de açúcar foi revisada para baixo em 1,5 milhão de toneladas, para 36,9 milhões de toneladas. O excesso de chuvas tem prejudicado o acúmulo de sacarose na cana, enquanto as condições climáticas e os resultados já observados na safra reforçam a perspectiva de menor disponibilidade de matéria-prima. O mercado ainda subestima o aperto na oferta de açúcar. Uma produção inferior a 37 milhões de toneladas limita o espaço para uma perspectiva baixista dos preços no médio prazo, sobretudo diante da redução dos estoques globais e da possibilidade de dificuldades produtivas em outras regiões exportadoras. Esse nível de produção é incompatível com uma visão de queda dos preços no médio prazo. A revisão da moagem considera também a redução de 2,3 Kg por tonelada na quantidade de Açúcar Total Recuperável (ATR), para 134,3 Kg por tonelada.

Com menor volume de cana e rendimento industrial mais fraco, a produção de açúcar deve recuar 8,8% em relação à safra 2025/26, quando somou 40,4 milhões de toneladas. Embora a paridade de preços continue favorecendo a fabricação de açúcar em detrimento do etanol até o fim da safra, o aumento do mix açucareiro não deve compensar a menor disponibilidade de cana-de-açúcar. A XP projeta que a parcela da matéria-prima destinada à produção de açúcar no Centro-Sul alcance 47%, ante 50,4% na temporada anterior. Os preços internacionais já incorporam parte desse cenário. O contrato de açúcar com vencimento em março de 2027 avançou cerca de 12% no último mês, impulsionado por uma entrega menor que a esperada, sinais de melhora marginal da demanda, perspectivas menos favoráveis para a produção europeia e revisões para baixo da safra brasileira. Contudo, a valorização recente ainda não reflete integralmente o risco de uma produção nacional inferior a 37 milhões de toneladas.

Os riscos para a oferta global permanecem concentrados em possíveis reduções, diante das restrições climáticas à produção brasileira e da perspectiva de mais uma safra europeia abaixo do esperado. Um dos efeitos mais relevantes da revisão da safra atual é o aumento do volume de cana-de-açúcar bisada, que permanece no campo para colheita no ciclo seguinte. A XP estima que aproximadamente 27 milhões de toneladas poderão ser transferidas para a safra 2027/28, ampliando a disponibilidade de matéria-prima no próximo ciclo e o potencial de produção de etanol. No curto prazo, entretanto, o adiamento da moagem contribui para restringir a oferta de açúcar, em um cenário de menor rendimento industrial e estoques globais mais apertados. A XP também reduziu em cerca de 800 milhões de litros sua estimativa de produção de etanol de cana-de-açúcar no Centro-Sul, para 25,6 bilhões de litros.

Apesar do corte, a produção total de etanol na região, incluindo o combustível produzido a partir do milho, deve alcançar 35,4 bilhões de litros em 2026/27, crescimento de 5% em relação à temporada anterior, conforme o modelo da instituição. A produção de etanol de milho no Centro-Sul é estimada em 9,8 bilhões de litros, alta de 6,7% na comparação anual. Os estoques de etanol permanecem em níveis considerados confortáveis, embora continuem em queda quando ajustados sazonalmente, sinalizando demanda saudável. A produção deve seguir pressionada até o fim da safra, enquanto os estoques atuais ainda oferecem uma margem de conforto ao mercado. No balanço nacional, a projeção é de produção total de açúcar de 40,2 milhões de toneladas na safra 2026/27, incluindo as Regiões Norte e Nordeste. Para o etanol, considerando a produção a partir de cana-de-açúcar e milho, a estimativa é de 39,1 bilhões de litros. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.