20/Oct/2026
A alta dos preços do etanol hidratado nas usinas pode limitar a recuperação da demanda pelo biocombustível no Brasil, após meses de cotações mais baixas que estimularam o consumo. Embora as vendas tenham reagido em agosto, o crescimento acumulado no ano permanece moderado, o que gera dúvidas sobre a sustentação da retomada diante da recente valorização do produto. Em agosto, as vendas de etanol superaram 2 bilhões de litros, volume 18% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, entretanto, o avanço foi de apenas 3% em relação a igual período do ano passado. A reação do consumo à queda dos preços indica que a recente alta das cotações também pode afetar a demanda, reduzindo parte do estímulo proporcionado pela competitividade do biocombustível. A recuperação das vendas ocorreu mesmo com a relação entre os preços do etanol e da gasolina abaixo da referência de 70% por vários meses consecutivos, condição que favorece a competitividade do hidratado nas bombas.
A valorização recente dos preços nas usinas, porém, pode comprometer parte desse avanço, sobretudo se houver repasse aos consumidores. Desde as mínimas de agosto, os preços do etanol se recuperaram, impulsionados principalmente pela valorização internacional do açúcar e pelo excesso de chuvas na região Centro-Sul do Brasil, que atrasou a colheita da cana-de-açúcar. Com o açúcar mais valorizado, as usinas tiveram incentivo para direcionar maior volume de matéria-prima à produção do adoçante, enquanto o atraso na moagem contribuiu para sustentar as cotações do biocombustível. Em seis semanas, o preço de referência do etanol avançou cerca de R$ 0,59 por litro. A valorização também reduziu a disposição das usinas para conceder descontos. Apesar da alta, não há um cenário de restrição estrutural da oferta. O movimento está relacionado às condições climáticas e à dinâmica do mercado de açúcar, e não a uma escassez efetiva de produto.
Para a safra 2026/27, a StoneX projeta produção de etanol de 37,8 bilhões de litros. As alterações na mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina também têm influenciado a demanda pelo biocombustível. A adoção do E32, que elevou o teor de mistura para 32%, acrescentou mais de 600 milhões de litros à demanda neste ano. Desde a implementação da medida, os estoques recuaram cerca de 25%, evidenciando o impacto das decisões regulatórias sobre o balanço do mercado. A possibilidade de elevar a mistura para 35%, com a adoção do E35, representa outro fator de sustentação para o setor, embora dependa da conclusão de testes técnicos antes da aprovação. Caso o processo avance conforme o esperado, a nova proporção poderá ser aprovada até agosto de 2027 e adicionar aproximadamente 1,5 bilhão de litros à demanda na temporada seguinte. A ampliação da mistura obrigatória poderá, assim, reforçar o consumo, enquanto a evolução dos preços do hidratado continuará sendo determinante para a competitividade do produto e para a continuidade da recuperação das vendas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.