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21/Oct/2026

Açúcar: clima favorável à colheita pressiona futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em queda nesta terça-feira (20/10) na Bolsa de Nova York. O vencimento março de 2027, referência atual e contrato de maior liquidez, recuou 5 pontos, equivalente a 0,24%, e fechou a 20,52 centavos de dólar por libra-peso. As cotações foram pressionadas pela expectativa de tempo mais seco no Centro-Sul do Brasil, condição que pode favorecer o avanço da colheita e da moagem de cana-de-açúcar, e pela decisão da Índia de priorizar matérias-primas como milho e arroz na contratação de etanol. A perspectiva de melhora das condições de campo no Brasil pode ampliar a disponibilidade de açúcar no curto prazo. As chuvas recentes dificultaram os trabalhos nas lavouras e prejudicaram o acúmulo de sacarose na cana-de-açúcar.

Dados do Ministério da Agricultura do Brasil indicam produção de açúcar de 2,86 milhões de toneladas, acima das 2,704 milhões de toneladas previstas por analistas consultados pela Platts, embora o volume represente queda de 6% ante igual período de 2025. Na Índia, a decisão de restringir a contratação de etanol produzido a partir de açúcar também contribui para pressionar os preços no curto prazo, ao preservar matéria-prima para a fabricação do adoçante. Segundo informações da Reuters, as distribuidoras estatais de combustíveis priorizarão milho e arroz na aquisição de 11 bilhões de litros de etanol para a temporada 2026/27. No médio prazo, entretanto, os riscos de redução da oferta global podem limitar as perdas das cotações.

A XP Investimentos reduziu em 1,5 milhão de toneladas sua estimativa para a produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro em 2026/27, para 36,9 milhões de toneladas. A revisão considera o excesso de chuvas, o menor acúmulo de sacarose na cana-de-açúcar e a queda no rendimento da matéria-prima. Na Tailândia, a representação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Bangcoc projeta produção de açúcar de 9,5 milhões de toneladas em 2026/27, volume 20,8% inferior ao da temporada anterior. Na Índia, estimativas da Archer Consulting apontam para uma safra entre 28 milhões e 28,5 milhões de toneladas em 2026/27. Caso a produção seja insuficiente para atender ao consumo doméstico, o país poderá precisar importar de 1 milhão a 3 milhões de toneladas nos próximos 12 meses, cenário que tende a restringir a oferta internacional e oferecer sustentação aos preços no médio prazo.