22/Oct/2026
Os embarques de petróleo do Oriente Médio recuperaram o ritmo na semana passada, apesar da retomada das preocupações do mercado com os riscos à navegação no Estreito de Ormuz. Os fluxos pela passagem marítima e por rotas alternativas superaram, em média, 24 milhões de barris por dia na semana encerrada em 18 de outubro, acima do volume de 23,3 milhões de barris por dia registrado antes da guerra, segundo dados de rastreamento da consultoria Kpler. A recuperação dos embarques tem sido favorecida pela diversificação logística e pelo redirecionamento de cargas. Cerca de 40% das remessas de petróleo do Golfo Pérsico passaram a contornar o Estreito de Ormuz, ante 17% antes do conflito. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos ampliaram o uso de oleodutos e de outras alternativas de transporte para reduzir a dependência da passagem marítima.
As exportações de derivados refinados, entretanto, apresentam recuperação mais lenta do que as de petróleo bruto. A Agência Internacional de Energia (AIE) informou que os embarques de produtos refinados do Oriente Médio somaram 1,9 milhão de barris por dia em setembro, abaixo dos 4,7 milhões de barris por dia registrados antes da guerra. A agência projeta que a escassez de diesel permaneça acentuada até uma parte significativa de 2027, indicando que a normalização dos fluxos de petróleo bruto ainda não se traduz em recuperação equivalente da oferta de combustíveis refinados. Apesar do aumento dos volumes transportados, os riscos à navegação permanecem elevados. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou que dois petroleiros pegaram fogo após atingirem minas ao sul do Estreito de Ormuz.
No dia 14 de outubro, a coalizão liderada pela Arábia Saudita comunicou a interceptação de drones lançados em direção ao país, incluindo um que teria como alvo a Província Oriental, importante região produtora de petróleo. No campo diplomático, o Ministério das Relações Exteriores do Catar informou que contatos e trocas de mensagens entre Estados Unidos e Irã continuam em andamento. As iniciativas integram os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz e conter a escalada das tensões regionais, em meio à preocupação com a segurança do transporte marítimo e a continuidade do abastecimento global de energia. Analistas do ING avaliam que os custos elevados de frete e os riscos persistentes de segurança no Oriente Médio continuam sustentando os preços do petróleo.
As tarifas de transporte de petroleiros, em níveis recordes, elevam os custos das entregas e mantêm a pressão sobre a logística internacional, mesmo com a recuperação dos volumes embarcados por rotas marítimas e alternativas terrestres. O cenário indica que a retomada dos fluxos de petróleo bruto não elimina os riscos de oferta no mercado internacional. A continuidade das restrições à navegação, o custo do transporte e a recuperação mais lenta das exportações de derivados, especialmente do diesel, permanecem fatores relevantes para a formação dos preços e para as perspectivas de abastecimento até 2027.
Ainda, a agência britânica de Operações de Comércio Marítimo (UKMTO) informou nesta quarta-feira (21/10) que recebeu hoje informações sobre outro incidente a cerca de 20 Km a oeste de Bukha, em Omã. Segundo a agência, as autoridades locais relataram que um petroleiro foi atingido por um projétil desconhecido, o que iniciou um incêndio que já foi extinto. “O petroleiro está agora ancorado e todos os tripulantes estão seguros”, diz a UKMTO. As embarcações são aconselhadas a transitar com cautela e relatar qualquer atividade suspeita, enquanto as autoridades investigam. A UKMTO também informou que recebeu um relatório atrasado sobre um projétil atingindo um petroleiro na costa do Iraque. Um petroleiro foi supostamente atingido a 55 Km da costa de al-Faw na terça-feira (20/10). A tripulação estaria segura e não houve relatos de danos ou impacto ambiental. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.