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23/Oct/2026

Açúcar: liquidação de posições pressiona futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York fecharam em queda nesta quinta-feira (22/10), pressionados pela liquidação de posições compradas. O movimento levou as cotações ao menor nível em duas semanas. A expectativa de maior disponibilidade do produto no curto prazo e a dificuldade de recuperação da demanda física também pesaram sobre os preços, embora as perspectivas de déficit global na safra 2026/27 possam limitar as perdas. O contrato com vencimento em março de 2027 recuou 32 pontos, ou 1,56%, e fechou a 20,13 centavos de dólar por libra-peso. A perspectiva de avanço da colheita e da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil permanece entre os principais fatores de pressão sobre o mercado.

A previsão de tempo quente e seco ao longo da semana pode favorecer os trabalhos no campo e ampliar a disponibilidade de açúcar no curto prazo. Na Índia, a suspensão, a partir de 1º de novembro, das compras de etanol produzido a partir da cana pelas distribuidoras estatais de combustíveis também pode liberar matéria-prima para a fabricação do adoçante, aumentando a oferta potencial. A demanda física menos ativa constitui outro fator de atenção. Os consumidores podem ter antecipado compras quando os preços estavam abaixo de 15,00 centavos de dólar por libra-peso e agora enfrentam dificuldades para recompor estoques diante das cotações mais elevadas. A lentidão das negociações amplia as dúvidas sobre a capacidade de o consumo absorver o produto aos atuais níveis de preços, limitando a sustentação das cotações no curto prazo.

No médio prazo, as perspectivas de oferta global mais restrita podem oferecer suporte ao mercado. A consultoria Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar na safra 2026/27 para 6,3 milhões de toneladas, ante 3,2 milhões de toneladas projetadas anteriormente. A revisão considera os riscos à produção associados ao fenômeno climático El Niño, que pode afetar o desempenho das principais regiões produtoras. No Brasil, a XP Investimentos reduziu em 1,5 milhão de toneladas sua estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27, para 36,9 milhões de toneladas. A revisão reflete os efeitos das chuvas sobre o acúmulo de sacarose e o rendimento da cana-de-açúcar, fatores que podem restringir a produção da região.

Na Tailândia, a representação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Bangcoc prevê produção de 9,5 milhões de toneladas na próxima temporada, queda de 20,8% em relação a 2025/26. Na Índia, a produção de açúcar pode recuar de 31 milhões de toneladas na temporada passada para cerca de 28 milhões de toneladas em 2026/27, segundo estimativas citadas pelo ING. A perspectiva considera a falta de chuvas nas principais regiões produtoras. A Archer Consulting, trabalha com uma faixa de produção entre 28 milhões e 28,5 milhões de toneladas. Caso a oferta não seja suficiente para atender ao consumo doméstico, o país poderá precisar importar de 1 milhão a 3 milhões de toneladas nos próximos 12 meses, o que acrescentaria demanda ao mercado internacional.

O posicionamento dos fundos de investimento também pode ampliar a volatilidade das cotações. Dados do relatório semanal de Compromisso dos Traders (Commitment of Traders, COT) indicaram que os gestores ampliaram as posições compradas em açúcar na Bolsa de Nova York em 16.184 contratos na semana encerrada em 13 de outubro. Com isso, a posição comprada líquida alcançou 228.743 contratos, o maior nível em mais de cinco anos. A exposição elevada dos fundos pode intensificar os movimentos de preços diante de mudanças nas expectativas de oferta, demanda e condições climáticas. O mercado permanece dividido entre fatores de pressão no curto prazo, relacionados à maior disponibilidade potencial e à demanda física menos ativa, e perspectivas de oferta global mais apertada na safra 2026/27. O comportamento das cotações dependerá da evolução da moagem no Brasil, das condições de produção na Índia e na Tailândia, dos efeitos do El Niño sobre a oferta e da capacidade do consumo de absorver os preços atuais.