27/Oct/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York fecharam em forte queda nesta segunda-feira (26/10), pressionados pela valorização do dólar e pelo recuo dos preços do petróleo. O vencimento março de 2027 caiu 114 pontos, ou 5,63%, e fechou a 19,10 centavos de dólar por libra-peso. A valorização do dólar, que chegou a subir 8,79%, para R$ 5,43, contribuiu para pressionar as cotações da commodity ao reduzir a atratividade de produtos denominados na moeda norte-americana para compradores que utilizam outras moedas.
O petróleo também registrou baixa, com o contrato do Brent para dezembro recuando 0,41%, para US$ 116,24 por barril, enquanto o WTI, negociado na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex), cedia 0,21%, para US$ 116,48 por barril. A queda do petróleo reduz o suporte ao açúcar pela via da competitividade do etanol. Preços menores dos combustíveis fósseis tendem a diminuir a vantagem relativa da produção de biocombustível em relação à fabricação de açúcar, o que pode influenciar as decisões das usinas sobre a destinação da cana-de-açúcar. Apesar da pressão exercida pelos fatores financeiros e energéticos, o cenário global ainda apresenta fundamentos de sustentação para os preços.
A Datagro projeta que o mercado mundial de açúcar passe de um superávit de 7,7 milhões de toneladas na safra 2025/26 para um déficit de 4,3 milhões de toneladas em 2026/27. A perspectiva reflete a redução da oferta em importantes regiões produtoras, em meio a condições climáticas adversas, embora o crescimento da demanda mundial deva permanecer limitado. No Brasil, as chuvas que prejudicam a colheita e a moagem de cana-de-açúcar também seguem no radar dos participantes do mercado. As precipitações podem ter reduzido em 40% o período disponível para moagem na primeira quinzena de outubro. Eventuais perdas no processamento brasileiro podem restringir a oferta e contribuir para limitar a pressão baixista sobre as cotações internacionais.