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27/Oct/2026

Açúcar: preços avançam com restrições na oferta

Em São Paulo, os preços do açúcar cristal continuam subindo, mas o ritmo de altas está perdendo força. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180, estado de São Paulo) registra média de R$ 125,63 por saca de 50 Kg, avanço de 0,88% nos últimos sete dias (R$ 124,54 por saca de 50 Kg). Trata-se da 14ª alta semanal consecutiva, a sequência de valorização mais longa desde 2020. No dia 22 de outubro, especificamente, o Indicador CEPEA/ESALQ atingiu R$ 125,98 por saca de 50 Kg, o maior valor nominal desde junho de 2025 e 38,9% acima da mínima deste ano, de R$ 90,72 por saca de 50 Kg, registrada em 13 de julho. Ao longo da última semana, no entanto, os preços oscilaram somente na casa dos R$ 125,00 por saca de 50 Kg, e o Indicador registra o menor patamar do período, de R$ 125,44 por saca de 50 Kg, com recuo de 0,24% nos últimos sete dias.

As chuvas continuam no radar dos agentes, por conta dos impactos sobre o ritmo de moagem no Centro-Sul e a qualidade da matéria-prima. Além disso, o maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol ao longo da safra tem limitado a fabricação do adoçante. Dados mais recentes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que vão até agosto, reforçam o cenário de menor oferta. No acumulado desta safra, o Centro-Sul produziu 24,08 milhões de toneladas de açúcar, 10,3% a menos que no mesmo período de 2025/26, apesar de a moagem ter crescido 1,8%. A produção de etanol avançou 13,9%. Em agosto, o ATR recuou 2,8% na comparação anual, para 143,09 Kg por tonelada de cana-de-açúcar.

As chuvas acima da média seguem afetando a qualidade da matéria-prima e o ritmo da colheita. Em Ribeirão Preto (SP), a precipitação de setembro passou dos 100 mm, segundo dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), volume 44% acima da média histórica (de 69 mm, segundo a Climatempo). Nessa região, o fim da moagem foi adiado para o início de dezembro. A Datagro estima que mais de 35 milhões de toneladas de cana do Centro-Sul possam ficar no campo para a próxima safra, um volume recorde. O preço do açúcar negociado na Bolsa de Nova York é pressionado pela realização de lucros e menor participação compradora dos fundos de investimento, apesar da permanência de preocupações quanto à oferta mundial na temporada 2026/27.

Na Bolsa de Nova York, o contrato Março/27 do açúcar demerara tem média de 20,38 centavos de dólar por libra-peso, queda de 2,77% nos últimos sete dias (20,96 centavos de dólar por libra-peso). As perspectivas de menor produção na Tailândia e na União Europeia mantêm as preocupações com a disponibilidade mundial de açúcar, sobretudo no primeiro semestre de 2027. Na Índia, em sentido contrário, a decisão do governo de restringir o uso de matérias-primas açucareiras na fabricação de etanol pode ampliar a disponibilidade doméstica de açúcar e compensar parcialmente as perdas agrícolas esperadas. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do açúcar cristal empacotado está cotado a R$ 14,77 por saca de 5 Kg, alta de 1,30% nos últimos sete dias. O preço do açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 3,14 por saca de 1 Kg, aumento de 0,13% no mesmo comparativo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.