27/Oct/2026
Segundo a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), a recuperação dos preços do açúcar e do etanol ainda não resultou em melhora suficiente da situação financeira dos fornecedores de cana-de-açúcar, diante dos custos elevados de produção e das dificuldades para investir na renovação dos canaviais. A safra 2026/27 começou com expectativa de produtividade elevada, mas os preços recebidos pelos produtores ficaram abaixo do esperado, entre R$ 100,00 e R$ 110,00 por tonelada de cana-de-açúcar. A pressão sobre as margens é reforçada pelas despesas operacionais. Na propriedade de Leal, o custo de corte, carregamento e transporte (CCT) chegou a aproximadamente R$ 50,00 por tonelada, reduzindo os recursos disponíveis para a aquisição de insumos e a execução dos serviços necessários à preparação das safras seguintes. A recuperação das cotações das commodities, portanto, não representa necessariamente uma recomposição da saúde financeira dos fornecedores.
Para restabelecer a capacidade de investimento, os preços precisam cobrir os custos de produção, permitir a manutenção dos tratos culturais e viabilizar a renovação dos canaviais, além de assegurar recursos para a compra de insumos e o plantio de novas áreas. A renovação dos canaviais é considerada essencial para sustentar a produtividade e atender às perspectivas de crescimento da demanda por etanol. Os produtores precisam reformar anualmente entre 12% e 15% da área cultivada com cana-de-açúcar, percentual que pode chegar a 20%, dependendo da região. O custo de implantação das novas áreas, entretanto, representa um obstáculo para os fornecedores que ainda não recuperaram as margens. As condições climáticas também acrescentam incertezas à safra atual. As chuvas têm prejudicado o andamento da colheita e levantado preocupações sobre o volume de cana que poderá permanecer nos campos.
A perspectiva de continuidade das precipitações associadas ao fenômeno El Niño até dezembro pode prolongar os trabalhos e deslocar parte da matéria-prima para o fim da safra, com possíveis efeitos sobre a qualidade da cana e o planejamento industrial. Caso as usinas optem por deixar parte dessa matéria-prima no campo, poderá haver dificuldades no início da próxima safra, especialmente em razão do ressecamento da cana remanescente. Esse cenário acrescenta riscos ao planejamento do abastecimento industrial e à qualidade da matéria-prima disponível na transição entre os ciclos. A elevação do percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, com a adoção da mistura E32, também contribuiu para o comportamento recente do mercado. Na avaliação da Feplana, a mudança ajudou a evitar uma pressão ainda maior sobre os preços recebidos pelos produtores. O efeito, contudo, não elimina as dificuldades estruturais relacionadas aos custos elevados, à recuperação das margens e à necessidade de investimentos contínuos na renovação dos canaviais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.