28/Oct/2026
De acordo com a avaliação do almirante de esquadra José Augusto da Cunha de Menezes, ex-representante permanente do Brasil junto à Organização Marítima Internacional (OMI), o Brasil precisa acelerar os investimentos em infraestrutura portuária e logística para viabilizar o uso de etanol e outros biocombustíveis no transporte marítimo e acompanhar o avanço das regras internacionais de descarbonização do setor. A transição energética na navegação exigirá coordenação entre produtores de combustíveis, operadores logísticos, portos e empresas de transporte marítimo, além de planejamento antecipado para adaptar a frota. A viabilidade do uso de biocombustíveis dependerá da integração entre produção, distribuição e abastecimento das embarcações, com investimentos em instalações portuárias e sistemas logísticos capazes de atender à nova demanda.
A adaptação da indústria naval também representa um desafio, devido ao longo horizonte de planejamento para construção de embarcações, estimado em cinco a dez anos ou mais. A incorporação de tecnologias compatíveis com combustíveis renováveis desde a fase de projeto será importante para evitar que armadores mantenham navios dependentes de combustíveis fósseis em um cenário de exigências ambientais mais rigorosas. Além da infraestrutura e da renovação da frota, a adoção de biocombustíveis dependerá da competitividade econômica de toda a cadeia. A avaliação deverá considerar os custos de produção, transporte, armazenamento e abastecimento, assim como os encargos associados às emissões de carbono. Dessa forma, a transição não deverá depender de um único combustível, mas da adoção progressiva de tecnologias mais eficientes e de alternativas aos derivados de petróleo. O Brasil já iniciou sua preparação para as mudanças no transporte marítimo, mas precisa acelerar os investimentos para acompanhar regiões como a Europa.
A disponibilidade de combustíveis renováveis, isoladamente, não será suficiente para viabilizar sua utilização em larga escala sem uma estrutura logística adequada e embarcações compatíveis. As negociações na OMI também influenciam o planejamento do setor. As discussões internacionais envolvem medidas técnicas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mecanismos econômicos de incentivo à descarbonização, incluindo propostas de precificação de carbono. O cronograma em discussão prevê, caso as medidas sejam aprovadas em novembro de 2026, a adoção de diretrizes em outubro de 2027 e a entrada em vigor das regras em 2029. A estratégia internacional mantém o objetivo de alcançar emissões líquidas zero no transporte marítimo até 2050. A evolução dessas regras deverá orientar decisões sobre investimentos portuários, abastecimento de combustíveis e renovação da frota nos próximos anos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.