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28/Oct/2026

Etanol: setor define estratégia para elevar exportação

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) estruturou uma estratégia internacional baseada em quatro frentes para ampliar a presença dos biocombustíveis brasileiros no exterior: abertura de mercados para misturas de etanol, participação nas discussões regulatórias internacionais, fortalecimento da comunicação do Brasil no debate global e ampliação de parcerias estratégicas. A primeira frente busca ampliar as oportunidades de mistura de biocombustíveis em outros países, com foco em mercados como Índia, Japão e nações da Ásia e da América Latina. A segunda contempla a atuação nas discussões sobre regras internacionais para os transportes aéreo e marítimo, além da diretiva de energias renováveis da União Europeia. O objetivo é ampliar o espaço para os combustíveis de origem renovável nas políticas energéticas e ambientais de diferentes mercados. A implementação dessa agenda depende da articulação entre o setor privado e o governo brasileiro, com participação de instituições como a Marinha e o Ministério das Relações Exteriores.

A terceira frente prevê fortalecer a presença brasileira no debate internacional por meio de uma comunicação fundamentada em evidências científicas, enquanto a quarta busca identificar e estreitar parcerias estratégicas com outros países e instituições. A estratégia considera a combinação de fatores que favorecem a procura por alternativas aos combustíveis fósseis, entre eles a segurança energética, a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e o avanço das regulações ambientais. Nesse cenário, o Brasil busca ampliar o reconhecimento internacional de sua experiência na produção e no uso de biocombustíveis, transformando as condições favoráveis em oportunidades comerciais e regulatórias. O setor de transportes responde por cerca de 23% das emissões globais, dos quais aproximadamente 16% estão associados ao transporte terrestre, conforme os dados apresentados por Leão. A redução das emissões desse segmento é considerada necessária para enfrentar o aquecimento global e pode abrir espaço para a ampliação do uso de biocombustíveis em diferentes modalidades de transporte.

A segurança energética também representa uma oportunidade para o Brasil, diante dos riscos de interrupção no abastecimento de petróleo e da volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis. As tensões geopolíticas em torno do Estreito de Ormuz exemplificam a vulnerabilidade do mercado internacional de energia a eventuais restrições de oferta, reforçando o interesse por fontes alternativas e diversificadas de abastecimento. A expansão internacional dos biocombustíveis brasileiros, entretanto, enfrenta barreiras relacionadas ao protecionismo e aos subsídios concedidos por outros países. Nesse contexto, a Unica defende a continuidade do multilateralismo e o fortalecimento das instituições responsáveis pela regulação do comércio internacional, considerados importantes para preservar a competitividade dos mercados e condições comerciais equilibradas. A atuação diplomática e a participação nas discussões regulatórias serão, portanto, componentes relevantes para ampliar o acesso do etanol brasileiro aos mercados externos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.