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28/Oct/2026

Açúcar: menor importação chinesa desafia o Brasil

A redução das importações chinesas, o aumento dos custos de transporte e a desaceleração do crescimento do consumo mundial têm limitado a demanda global por açúcar e ampliado os desafios para o escoamento da oferta brasileira. Os fatores dificultam a absorção de volumes adicionais pelo mercado internacional, segundo a Louis Dreyfus Company (LDC) e a Sucden Brasil. As importações chinesas recuaram de cerca de 5 milhões de toneladas no ano passado para pouco mais de 2 milhões de toneladas neste ano. A redução reflete o aumento da produção doméstica, que diminui a necessidade de compras externas.

Para a próxima safra, a produção chinesa poderá alcançar entre 13 milhões e 14 milhões de toneladas, patamar historicamente elevado. Ainda não há sinais claros de retomada de importações expressivas pela China, especialmente enquanto os preços permanecerem nos níveis atuais. A retração representa uma mudança relevante para o mercado internacional, uma vez que o país figurava entre os principais compradores globais de açúcar. A manutenção desse cenário pode limitar a capacidade de absorção da oferta exportável brasileira. A Indonésia também contribuiu para a redução das importações globais neste ano.

Parte da queda está relacionada a mudanças na distribuição e no controle das cotas de importação, que teriam estimulado compras superiores às necessidades em períodos anteriores. Com a racionalização desse sistema e as dificuldades enfrentadas pela produção local, o país poderá ampliar as aquisições no mercado internacional em 2027/28. Os custos logísticos constituem outro fator de pressão sobre o comércio internacional. As tensões geopolíticas e as alterações nas rotas marítimas elevaram os gastos com transporte. Segundo Barbosa, os desvios de rotas aumentaram em cerca de US$ 80 por tonelada o custo do frete em determinadas operações, sem incluir despesas adicionais de descarga e outros encargos.

O encarecimento reduz a atratividade das exportações para alguns destinos, especialmente no Oriente Médio. A desaceleração do consumo mundial também limita o crescimento da demanda. A Sucden Brasil apontou que a expansão anual do consumo global de açúcar recuou de aproximadamente 1,5% para 0,6%. Entre os fatores associados a essa mudança estão políticas adotadas por diferentes países para reduzir o consumo, incluindo a tributação de produtos açucarados e iniciativas para diminuir a quantidade do ingrediente em bebidas. Apesar do ritmo mais lento, a demanda mundial deverá continuar aumentando em termos absolutos, com acréscimo estimado de aproximadamente 1 milhão de toneladas por ano.

Esse crescimento, contudo, poderá ser insuficiente para absorver rapidamente todo o volume adicional que o Brasil tem capacidade de produzir. A perspectiva de aumento da oferta brasileira amplia a preocupação com a logística de exportação. Caso a produção nacional alcance 43 milhões de toneladas no próximo ciclo, será necessário avaliar a capacidade de escoamento de grandes volumes em um período de seis a sete meses. Nesse cenário, a disponibilidade de infraestrutura logística, a competitividade dos fretes e a evolução da demanda internacional serão determinantes para a comercialização da safra e o equilíbrio do mercado global de açúcar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.