28/Oct/2026
A forte valorização do açúcar nas últimas semanas no mercado futuro foi impulsionada pela mudança de posicionamento dos fundos especulativos, que passaram de uma posição vendida de cerca de 100 mil contratos para uma posição comprada de aproximadamente 120 mil lotes na Bolsa de Nova York. O movimento equivale à compra de 10 milhões a 11 milhões de toneladas de açúcar. A mudança de posição dos fundos ocorreu em meio à combinação de fatores especulativos e fundamentos mais favoráveis às cotações. Em agosto, ainda predominava a expectativa de que o açúcar demerara negociado em Nova York permanecesse em níveis mais baixos. Posteriormente, as compras dos investidores ganharam intensidade e contribuíram para acelerar a alta dos preços. No Brasil, as chuvas acima do esperado em setembro e outubro dificultaram o avanço da colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul e ampliaram as preocupações com a produção.
Ao mesmo tempo, fatores macroeconômicos e geopolíticos estimularam as compras de commodities agrícolas. A Louis Dreyfus Company (LDC) avaliou que a escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia e os ataques à infraestrutura contribuíram para fortalecer o movimento especulativo, antes de uma deterioração mais evidente das perspectivas de oferta de açúcar. Os fundamentos do mercado passaram a oferecer sustentação adicional às cotações, diante das perspectivas de redução da produção na Índia e na Europa. No mercado europeu, a diminuição da área plantada e os efeitos das condições climáticas devem provocar queda de aproximadamente 3 milhões de toneladas na produção. A demanda por etanol também apresentou desempenho superior ao esperado e passou a contribuir para a sustentação dos preços do açúcar. Até julho, o consumo de etanol mostrava pouca evolução em relação ao período anterior, mas ganhou força posteriormente.
No Brasil, a melhora da paridade entre açúcar e etanol também modificou as perspectivas para a distribuição da produção das usinas entre os dois produtos, com possíveis reflexos sobre a oferta de açúcar. Apesar do cenário mais favorável, a continuidade da valorização dependerá da evolução dos fundamentos de oferta e demanda e do comportamento dos fundos especulativos, cuja posição comprada já se encontra em nível elevado. A realização de lucros pelos investidores ou mudanças nas expectativas para o balanço global podem provocar ajustes nas cotações. Destaque ainda para o potencial de demanda da Índia, que tem autorização para importar até 1 milhão de toneladas de açúcar nesta temporada, mas havia adquirido apenas 23 mil toneladas até o momento. O volume efetivamente importado dependerá da evolução dos preços internacionais e da paridade de importação no mercado indiano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.