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29/Oct/2026

Açúcar: futuros impulsionados pela alta do petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York fecharam em alta nesta quarta-feira (28/10), ensaiando recuperação após as oscilações recentes. O vencimento março de 2027, referência atual e contrato mais líquido, avançou 14 pontos, ou 0,73% e fechou a 19,34 centavos de dólar por libra-peso. A valorização do petróleo, a redução do processamento de cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro e as projeções de aperto na oferta mundial sustentaram as cotações. No mercado energético, o petróleo WTI subia 1,49%, com ganho de US$ 1,70, para US$ 113,88 por barril. A alta melhora a paridade teórica do etanol e pode estimular as usinas brasileiras a destinar maior parcela da matéria-prima à produção do biocombustível, em detrimento do açúcar. Esse movimento ganha relevância diante das perspectivas de redução da produção açucareira no Brasil e de maior restrição da oferta internacional.

Dados da S&P Global Energy apontaram que as usinas do Centro-Sul produziram 2 milhões de toneladas de açúcar na primeira quinzena de outubro, volume 2,5 milhões de toneladas inferior ao registrado em igual período do ciclo anterior. O resultado foi atribuído ao excesso de chuvas associado ao El Niño, que voltou a interromper o ritmo da colheita e da moagem de cana-de-açúcar na região. As perspectivas para a safra brasileira também contribuíram para sustentar os preços. A Datagro projetou uma mudança no balanço global, de superávit de 7,7 milhões de toneladas em 2025/26 para déficit de 4,3 milhões de toneladas em 2026/27. A Datagro estima moagem de cana no Centro-Sul entre 615 milhões e 625 milhões de toneladas, ou 640,5 milhões de toneladas em estimativa anualizada. A produção de açúcar, entretanto, deverá cair 5%, para 38,42 milhões de toneladas, enquanto a participação da matéria-prima destinada ao adoçante recuaria de 50,4% para 46,7%.

Estimativas de tradings indicam produção ainda menor, entre 37 milhões e 37,5 milhões de toneladas. No cenário internacional, a Covrig Analytics elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar em 2026/27 para 490 mil toneladas, ante 300 mil toneladas projetadas em agosto. A Datagro também revisou o balanço de 2025/26, reduzindo o superávit esperado para 1,2 milhão de toneladas. As revisões reforçam a percepção de maior equilíbrio entre oferta e demanda, embora as estimativas de déficit variem entre as instituições. Na Índia, a Associação de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (Isma) informou que a safra 2026/27 começou com 107 usinas em operação e produção acumulada de 400 mil toneladas até 25 de outubro, abaixo das 600 mil toneladas registradas em igual intervalo do ciclo anterior. O resultado reflete os efeitos das chuvas de monção, que ficaram 12,6% abaixo da média histórica.

Diante das preocupações com a disponibilidade interna, a Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia prorrogou até 31 de dezembro a autorização para importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos. As perspectivas climáticas continuam no radar do mercado. Dados da Agência Meteorológica do Japão (JMA) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam probabilidade de 100% de persistência do Super El Niño até o primeiro trimestre de 2027, ampliando as incertezas sobre as safras da Índia, da Tailândia e do Brasil. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta queda de 1% na produção mundial em 2026/27, para 180,1 milhões de toneladas, com déficit de 200 mil toneladas. O escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília estima a produção brasileira em 42,2 milhões de toneladas, enquanto a Czarnikow calcula déficit global de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28.

A StoneX, por sua vez, projeta déficit de 900 mil toneladas em 2026/27. A valorização do dólar ante o Real limitou ganhos mais expressivos dos contratos, ao favorecer a fixação de vendas de açúcar para exportação por usinas brasileiras. Os dados de comércio exterior também integram o quadro de fundamentos do mercado. Informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontaram queda de 16,8% nos embarques brasileiros de açúcar em setembro, na comparação com igual mês de 2025. Apesar desse recuo, as perspectivas de menor produção no Centro-Sul, os riscos climáticos e as revisões nas estimativas de oferta global mantêm o foco dos investidores na possibilidade de um balanço mundial mais apertado nos próximos ciclos.