08/Dec/2025
Segundo a StoneX, a indústria de carne bovina dos Estados Unidos atravessa um dos períodos mais apertados das últimas décadas, com forte demanda doméstica, baixa oferta e ajustes relevantes na capacidade de abate. O país vive um cenário em que a demanda está excepcional e se mantém firme mesmo diante dos preços historicamente elevados. O ciclo atual foi intensificado ao longo dos últimos seis a oito meses, quando a oferta encolheu e a pressão da demanda acelerou as tendências de alta no mercado de gado. A volatilidade tomou conta dos preços, com movimentos bruscos tanto no mercado físico quanto nos futuros. A retirada do tarifaço sobre a carne bovina brasileira e o anúncio do fechamento de plantas frigoríficas nos Estados Unidos contribuíram para ampliar a instabilidade recente.
A Tyson Foods decidiu encerrar sua unidade em Lexington, Nebraska, responsável por 4.800 abates diários, além de reduzir a capacidade em Amarillo, no Texas. O impacto representa cerca de 6% da produção total dos Estados Unidos, mas não deve gerar desabastecimento, já que os bovinos devem ser realocados para outras plantas. O movimento da indústria é consequência direta das margens pressionadas desde o período pós-Covid. O fechamento de plantas seria, assim, um ajuste natural à redução do rebanho norte-americano. A queda na produção do país tem sido expressiva: desde o primeiro trimestre de 2025, a oferta de carne bovina recua entre 6% e 8% na comparação anual. A redução é ampliada pela interrupção das importações de gado vivo do México, que representavam até 4% da produção anual.
Com o encolhimento do rebanho, não há sinais de uma reconstrução significativa no curto prazo. A retenção de fêmeas cresceu, mas a reposição do rebanho só deve resultar em mais bezerros a partir de 2027 ou 2028. Apesar da oferta menor, a disponibilidade total de carne bovina, que inclui a produção doméstica e as importações, não está em níveis críticos. Em 2024, foi recorde, e em 2025 deve encolher apenas entre 0,5% e 1%. Mesmo assim, os preços seguem em patamar elevado, sustentados pelo consumo interno. A demanda tem sido muito inelástica. Os consumidores continuam comprando mais produtos e pagando preços mais altos. A diferença de preço entre carne bovina, suína e de frango alcançou níveis que podem, no futuro, pressionar o consumo. Mas, por ora, não há sinais de desaceleração. A demanda segue muito estável. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.