08/Dec/2025
Segundo a Scot Consultoria, a quantidade de bovinos terminados em confinamento para abate cresceu 18,4% em 2025 em comparação com 2024, atingindo 2,6 milhões de cabeças nas propriedades mapeadas pela expedição Confina Brasil. Os dados são do relatório Confina Brasil 2025, projeto que percorreu 184 propriedades em 15 Estados, sendo 114 visitadas in loco e 70 avaliadas remotamente. O rebanho amostrado representa 31,7% da projeção nacional de bovinos confinados para abate em 2025, estimada pela Scot em 8,3 milhões de cabeças, um incremento de 11,9% frente à projeção de 2024. Além do confinamento tradicional, o estudo mapeou 270,2 mil bovinos em sistemas de semiconfinamento (recria e terminação intensiva a pasto).
O crescimento reforça o confinamento como ferramenta estratégica e de gestão, não apenas como alternativa pontual. O produtor está se planejando melhor, mesmo em um ano volátil. Os números evidenciam também avanços em eficiência e padronização. A idade média de entrada dos machos no cocho caiu para 19,3 meses, e a de saída para 23,5 meses. O peso médio de entrada foi de 371,7 Kg, com os bovinos saindo para o abate com 565,5 Kg, em média. Há uma busca constante por bovinos mais jovens, alinhada às exigências do mercado externo, principalmente da China, e à otimização da conversão alimentar. Por Estados, os maiores crescimentos percentuais no volume confinado ocorreram no Piauí (47,1%), em Tocantins (38,1%) e Maranhão (28,0%), refletindo a expansão da atividade em novas fronteiras.
Goiás lidera em volume absoluto, com 601,2 mil cabeças, seguido por São Paulo (538,3 mil) e Minas Gerais (316,5 mil). Juntos, estes cinco Estados respondem por 78,6% do volume mapeado. Na contramão, Santa Catarina (-5,3%) e Espírito Santo (-2,8%) registraram retração, influenciados por custos elevados de insumos e perfil produtivo regional. O modelo de confinamento terceirizado (boitel) ganhou força, estando presente em 26,6% das propriedades. São Paulo (52,2%), Bahia (50%) e Mato Grosso do Sul (48%) são os Estados com maior incidência. O custo médio da diária neste sistema atingiu R$ 17,68 por cabeça, alta de 17,1% ante 2024, pressionado pela recomposição de custos de produção. A profissionalização da gestão se destaca no estudo: 85,9% dos confinamentos contratam consultorias, com foco em nutrição (88%) e sanidade (39,2%).
Além disso, 41,4% das propriedades integram o acompanhamento de custos à gestão diária. Isso demonstra um amadurecimento do setor, que busca decisões embasadas em dados para ganhar eficiência e rentabilidade. Na comercialização, 49,5% dos confinamentos mantêm relação exclusiva com um único frigorífico, enquanto 75,5% possuem algum tipo de parceria ou recebem incentivos, sendo a bonificação por protocolo de qualidade a mais comum (69,1%). A sustentabilidade também avança: 56,8% das propriedades com área agrícola adotam sistemas integrados (ILP, IPF ou ILPF), com a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) predominando em 87,3% dos casos. A autossuficiência alimentar é uma estratégia clara, com 71,7% das fazendas produzindo grãos, principalmente milho e soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.