15/Jan/2026
O governo brasileiro negocia com a China ajustes operacionais no âmbito da salvaguarda chinesa imposta sobre a carne bovina. Há duas demandas principais: a redistribuição para o Brasil de volumes de cotas que não forem cumpridas pelos demais exportadores e a não contabilização de cargas em trânsito ou em desembaraço alfandegário no país asiático na cota alocada ao Brasil. Os pedidos brasileiros já foram encaminhados às autoridades chinesas e ainda não há conclusões sobre os pleitos. Quanto ao volume embarcado anteriormente ao anúncio da salvaguarda chinesa, estima-se que há 300 mil toneladas de carne bovina brasileira em alto-mar ou em processo de liberação pela alfândega chinesa. Sobre essa mercadoria, o governo articula flexibilização para que não seja contabilizada na cota anual. Em relação às cotas de outros países, o Brasil vislumbra sobretudo volumes alocados pela China que superam a exportação realizada em 2025.
Os exemplos são Uruguai, que tem cota de 324 mil toneladas sem tarifa adicional para este ano com embarque próximo a 200 mil toneladas em 2025, e os Estados Unidos, que possui cota de 164 mil toneladas neste ano e embarque de pouco mais de 50 mil toneladas no ano passado. O governo brasileiro pediu que, se os países não utilizarem a cota até o fim do 1º semestre, o Brasil possa assumir esses volumes em adição à cota já alocada neste ano e, com isso, garante embarques com apenas alíquota básica até entrada do 2º semestre. Com essa realocação e transferência de volumes ao Brasil, a estimativa é que o País consiga outras 300 mil a 400 mil toneladas que não seriam usadas pelos países. Na terça-feira (13/01), os secretários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria Comércio e Serviços (MDIC), da Agricultura e das Relações Exteriores se reuniram virtualmente com membros do Ministério do Comércio da China (Mofcom) para reforçar os pleitos e esclarecer procedimentos técnicos e operacionais, que ainda geravam dúvidas aos exportadores nacionais.
Há expectativa ainda de uma audiência entre o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o vice-presidente chinês, Han Zheng, para tratar do tema, a pedido do lado brasileiro. O pedido do governo, embasado na demanda dos exportadores de carne bovina, ocorre após a China anunciar que vai impor cotas específicas por país para importação de carne bovina com a aplicação de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a quantidade. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país em 31 de dezembro e está em vigor desde o dia 1º de janeiro. As medidas serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028 e atingem os principais exportadores da carne bovina.
O Brasil, principal fornecedor de carne bovina ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais neste ano, cerca de 600 mil toneladas menos que as 1,7 milhão de toneladas de carne bovina exportadas para a China no último ano. O governo brasileiro vem mantendo contato com os pares chineses para esclarecimentos de questões técnicas acerca da salvaguarda antes mesmo do anúncio oficial da medida em dezembro de 2025, quando a China consultava governos e setores privados em audiências acerca da salvaguarda. Até o momento, o Executivo descarta eventual acionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a medida, já que o governo considera que a medida não foi uma surpresa e que está dentre as possibilidades previstas por órgãos multilaterais como proteção ao comércio local. Uma das principais preocupações do governo neste momento é com o Pará. Do total exportado pelo Estado, 77% vão para a China.
Frigoríficos do Estado ainda não são aptos a serem habilitados a exportar a proteína para uma série de novos mercados abertos em virtude de diferentes entendimentos quanto ao status de reconhecimento de livre de febre aftosa sem vacinação adotado no Certificado Sanitário Internacional (CSI) acordado pelo Brasil nos protocolos bilaterais com cada país. O Executivo busca ainda também um diagnóstico quanto aos frigoríficos mais expostos ao mercado chinês, planta a planta, aos moldes da avaliação feita sobre empresas na ocasião do tarifaço norte-americano. Outro assunto em estudo internamente é uma eventual gestão da cota pelo Executivo, com divisão de volumes mensais a serem exportados e por Estados a fim de minimizar os impactos das restrições chinesas no mercado interno. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.