ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

21/Jan/2026

Boi: salvaguarda chinesa deve reduzir confinamento

Segundo o Rabobank Brasil, a salvaguarda anunciada pela China para as importações de carne bovina deve reduzir o volume de gado confinado no Brasil ao longo de 2026 e prolongar o processo de ajuste do mercado interno, sobretudo no segundo semestre. A limitação das exportações ao mercado chinês tende a afetar diretamente a estratégia dos frigoríficos e o ritmo de engorda intensiva do gado no País. O Brasil deve sentir uma queda em termos de confinamento já nesse primeiro giro e um segundo giro também mais baixo. O cenário favorece maior retenção de fêmeas e aumento da produção de bezerros, em detrimento da terminação intensiva. A salvaguarda, em vigor desde o início de janeiro, estabelece cotas anuais por país e aplicação de tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem o limite. Para o Brasil, a cota foi fixada em cerca de 1,1 milhão de toneladas, o que representa uma redução estimada entre 500 mil e 600 mil toneladas em relação ao histórico recente de exportações ao mercado chinês.

Sem dúvida, o Brasil foi o mercado mais penalizado. Outros exportadores também foram afetados: Argentina, com 511 mil toneladas; Austrália, com 205 mil toneladas; e Estados Unidos, com 174 mil toneladas. O Uruguai, por sua vez, recebeu cota de 324 mil toneladas, cerca de 80 mil toneladas acima do volume importado em 2024, o que abre espaço para expansão das vendas do país vizinho. A medida tem validade de três anos, até o fim de 2028, com possibilidade de redução gradual da tarifa e ampliação das cotas conforme a recuperação do mercado chinês. O anúncio antecipado da salvaguarda desencadeou uma corrida por embarques no início do ano. Nas duas primeiras semanas de janeiro, houve um aumento de 82% no volume diário de exportações e uma alta média de preços em torno de 10%, apontando tentativa de antecipação de vendas antes da normalização do fluxo. Apesar da reação inicial, o consumo doméstico chinês atravessa o pior período sazonal do ano, o que limita novos picos de preços no curto prazo.

Esse aumento de preço deve ser mais gradual, se preparando para o segundo semestre. Entre 300 mil e 350 mil toneladas de carne bovina brasileira já estavam em trânsito para a China quando a medida foi anunciada. Existe um pedido para que esse volume não entre na conta deste ano e fique contabilizado no ano anterior, liberando espaço dentro da cota. No campo diplomático, a negociação para absorção de eventuais sobras de cota de outros países e, em prazo mais longo, a possibilidade de abertura de um painel na Organização Mundial do Comércio (OMC). No curto prazo, a proposta de monitoramento mensal das exportações brasileiras. Dividir a cota de 1,1 milhão por 12 meses daria algo em torno de 91 mil toneladas por mês. A distribuição teria como base o histórico de exportação por planta frigorífica, evitando uma corrida que elevaria a competição entre frigoríficos e prejudicaria empresas de menor porte, em movimento semelhante ao observado em 2021.

Para mitigar os impactos da menor demanda chinesa, há mercados alternativos. A Indonésia, após ampliação de habilitação para carne com osso, pode quase dobrar as importações, passando de 47 mil toneladas em 2025 para cerca de 100 mil toneladas em 2026. Egito e Rússia também aparecem como destinos relevantes, com a Rússia registrando, em novembro de 2025, o maior volume importado desde 2018. O Vietnã recebeu quatro novas plantas habilitadas recentemente, ampliando o potencial de exportação. Japão, Coreia do Sul e Turquia são considerados mercados próximos de entrada, com expectativa de avanços ainda no primeiro semestre, especialmente no caso japonês. Há ainda a possibilidade de triangulação, aproveitando operações de frigoríficos brasileiros na Argentina e no Uruguai, para liberar produção local destinada ao mercado chinês. O México, por sua vez, anunciou no início de janeiro uma cota de 70 mil toneladas, afetando Brasil, Chile e Nicarágua, enquanto Estados Unidos e Canadá ficaram isentos por acordos comerciais.

Bolívia e Colômbia não foram incluídas na salvaguarda chinesa por terem participação inferior a 3% nas importações totais do país asiático. Para o mercado interno, a limitação das exportações deve alongar a recuperação dos preços do boi gordo. A recuperação deve ser mais gradual, se intensificando no segundo semestre, com a melhora sazonal do consumo. Projeções mais agressivas de preços para 2026 se tornam menos prováveis. Com outros exportadores preenchendo suas cotas até meados do ano, pode surgir uma janela de competitividade relativa para o Brasil no segundo semestre. Mesmo com a tarifa de 55%, o Brasil continua competitivo por ter a carne bovina mais barata do mundo. Do lado da demanda doméstica, os preços mais altos tendem a estimular a migração para proteínas mais baratas, como frango e suínos. Copa do Mundo, em julho, e eleições no segundo semestre devem trazer estímulos pontuais ao consumo, mas o cenário geral segue marcado por maior cautela. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.