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21/Jan/2026

Boi: preços no físico limitados pela oferta elevada

Os preços do boi gordo no mercado físico estão limitados pela oferta sazonal elevada de gado terminado e pela postura cautelosa da indústria. Escalas de abate confortáveis, consumo doméstico mais fraco na segunda quinzena do mês e as incertezas em torno das salvaguardas chinesas seguem impedindo avanços mais consistentes nos preços. Porém, o mercado futuro passa por um movimento de recomposição de preços, refletindo expectativas mais favoráveis para os próximos meses.

Em São Paulo, o boi gordo está cotado a R$ 318,00 por arroba a prazo e o "boi China", a R$ 322,00 por arroba a prazo. A semana é marcada por poucos negócios e escalas de abate em torno de sete dias em São Paulo, o que permite aos frigoríficos administrarem as compras. Há quedas pontuais em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, reflexo de indústrias com programações atendidas testando valores menores. Observa-se altas no Pará e em Rondônia.

No front das exportações, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avalia que as salvaguardas impostas pela China não devem provocar oscilações relevantes nos preços da carne bovina ao longo de 2026. A demanda global por proteína segue em crescimento e, mesmo com cotas, os importadores chineses tendem a antecipar compras para garantir abastecimento. Não necessariamente haverá queda de receita, já que os preços pagos pela China aumentaram recentemente.

Destaque para a forte restrição de oferta de gado nos Estados Unidos, que deve ampliar a demanda pela carne brasileira, além do potencial de mercados como Vietnã, Indonésia e outros países do Sudeste Asiático. O risco de perda de tração das vendas externas para a China não deve se materializar de forma imediata, reduzindo a pressão sobre as cotações no primeiro trimestre. No horizonte mais longo, a expectativa de escassez global de carne bovina em 2026 segue como fator de sustentação e ajuda a explicar a reação mais firme observada no mercado futuro.