28/Jan/2026
A produção de leite nos Estados Unidos atingiu níveis recordes em 2025, mas esses volumes mascaram uma tensão subjacente que ameaça a estabilidade futura do setor. Segundo análise da American Farm Bureau Federation (AFBF), considerada uma das maiores e mais influentes organizações agrícolas dos Estados Unidos, o atual excesso de oferta é sustentado por decisões de gestão de curto prazo, como manter vacas mais velhas em atividade por mais tempo, enquanto o fluxo de novilhas de reposição caiu para o nível mais baixo desde 1978. A dinâmica do rebanho norte-americano está cada vez mais distorcida pela economia do "beef-on-dairy" (cruzamento de gado leiteiro com corte). Com os preços da carne bovina em alta, os produtores têm optado por utilizar genética de corte em suas vacas leiteiras para vender bezerros a preços premium, o que gera uma receita imediata estimada entre US$ 4,00 e US$ 5,00 por cwt (cem libras-peso) de leite equivalente.
No entanto, a contrapartida dessa estratégia é a redução drástica no nascimento de fêmeas leiteiras puras para substituir o rebanho no futuro. Os dados apresentados mostram um descompasso. Em novembro de 2025, o rebanho de vacas leiteiras dos Estados Unidos totalizou 9,57 milhões de cabeças, o maior volume desde 1993. Simultaneamente, o inventário de novilhas de reposição despencou para 3,91 milhões, a mínima em quase 50 anos. O abate de vacas leiteiras também atingiu o menor nível em mais de uma década, totalizando 2,53 milhões de cabeças nas primeiras 50 semanas de 2025, indicando que os produtores estão adiando o descarte para sustentar o fluxo de caixa, apesar dos preços recordes pagos pelas vacas de descarte. O aumento da produção doméstica, somado à expansão da oferta em concorrentes globais como União Europeia (+1,5%), Nova Zelândia (+2,0%) e Argentina (+9,7%), pressionou severamente os preços ao produtor.
O valor médio pago pelo leite nos Estados Unidos caiu mais de US$ 4,00 por cwt desde o início do ano, encerrando novembro a US$ 19,70 por cwt. No mercado de produtos, a manteiga desvalorizou-se quase 47% e o queijo cheddar recuou 28% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Paradoxalmente, essa queda de preços tornou os produtos norte-americanos altamente competitivos no mercado internacional. A manteiga dos Estados Unidos está sendo negociada com descontos de cerca de 73% em relação à Nova Zelândia e 68% em relação à União Europeia, o que impulsionou as exportações a volumes recordes em 2025. Contudo, a AFBF adverte que esse alívio via exportação é temporário. Quando a biologia limitar a capacidade de manter vacas envelhecidas no sistema, o setor poderá enfrentar um ajuste abrupto e volátil, dada a inexistência de vacas jovens suficientes para manter os níveis de produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.