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28/Jan/2026

Boi: virada do ciclo e oferta mais ajustada em 2026

Segundo a StoneX, o mercado brasileiro de carne bovina pode entrar em um período de oferta mais ajustada em 2026, após dois anos de forte expansão do abate e recordes sucessivos de exportação. A perspectiva de menor disponibilidade de bovinos terminados, combinada com demanda doméstica e internacional aquecida, tende a criar um ambiente propício ao aumento dos preços ao longo do ano. Os indícios de virada do ciclo pecuário já começam a aparecer, com redução recente no número de fêmeas abatidas, sugerindo que os produtores podem estar iniciando uma fase de recomposição do plantel. Com a demanda internacional firme, o consumo doméstico com potencial de expansão e sinais de ajuste na oferta, a grande questão que se impõe para 2026 não é a existência de compradores, mas qual será a disponibilidade efetiva de carne ao longo do ano. Os dados de abates mostram que o Brasil operou em níveis excepcionalmente elevados em 2025, com média mensal próxima de três milhões de cabeças e pico de 3,6 milhões no terceiro trimestre.

Esse crescimento foi sustentado, em grande parte, pelo aumento do abate de fêmeas. No entanto, existe um limite natural para esse comportamento. As fêmeas são a base da reposição do rebanho. Em determinado momento, elas precisam voltar a ser retidas para garantir a continuidade da produção. Considerando que o ciclo pecuário, do nascimento do bezerro até o abate, leva entre 18 e 30 meses, qualquer ajuste iniciado agora terá efeitos prolongados sobre a oferta futura. O primeiro trimestre de 2026 será determinante para observar o nível de descarte após a estação de monta e definir se a virada do ciclo se consolida por meio de um menor abate de fêmeas. Pelo lado da demanda interna, o cenário estrutural permanece favorável. A economia brasileira apresenta crescimento e o desemprego encontra-se em níveis historicamente baixos. Quando essas duas condições se combinam, o consumo de carne bovina tende a reagir positivamente, lembrando que períodos de maior ocupação e renda sustentam demanda mais robusta por proteínas de maior valor agregado.

Ainda assim, há pontos de alerta. A inadimplência vem apresentando tendência de alta, o que levanta dúvidas sobre qual parcela da renda disponível será efetivamente direcionada ao consumo, sobretudo em um ambiente de maior seletividade das famílias. Esse fator ganha importância adicional em um ano eleitoral, quando a percepção de risco pode influenciar decisões de gasto e poupança. No cenário externo, a relevância do Brasil se intensifica diante do desequilíbrio estrutural entre produção e consumo global. Do aumento total da oferta mundial de carne bovina nos últimos cinco anos, o Brasil respondeu por mais de 50% do superávit adicional gerado. Entre os países superavitários, o Brasil lidera com ampla vantagem, exportando mais do que o dobro da Austrália. Do lado dos deficitários, a China domina de forma expressiva, com necessidade anual de importação superior a 3,5 milhões de toneladas. Mesmo que toda a carne exportada pelo Brasil fosse direcionada exclusivamente ao mercado chinês, isso ainda não seria suficiente para atender à sua demanda.

Esse dado ilustra não apenas o tamanho do mercado chinês, mas também a dimensão da escassez estrutural de carne bovina no mundo. Em 2025, ficou claro que essa demanda global mostrou elevada capacidade de realocação. Quando os Estados Unidos reduziram suas compras de carne brasileira após o tarifaço, a China ampliou rapidamente sua participação e absorveu esse volume deslocado. O país asiático chegou em alguns meses a quase 60% das exportações brasileiras. Caso a virada de ciclo se confirme com maior intensidade, o mercado pode entrar em um período de oferta mais ajustada, pressionando preços e tornando cada bovino pronto para o abate um ativo ainda mais estratégico dentro da cadeia produtiva. O equilíbrio entre demanda consistente e oferta possivelmente mais curta definirá o comportamento dos preços e a dinâmica competitiva da pecuária brasileira em 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.