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29/Jan/2026

Boi: diálogo Brasil-China sobre as salvaguardas

O governo aposta em diálogo de "alto nível" com a China para negociar flexibilizações no âmbito da salvaguarda imposta pelo país asiático sobre a carne bovina de vários produtores, inclusive o Brasil. As tratativas estão sendo conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Ministério da Agricultura e Ministério das Relações Exteriores (MRE). Uma audiência entre o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, e o vice-presidente da China, Han Zheng, ocorreu nesta quarta-feira (28/01). O pedido brasileiro é para que sejam considerados ajustes operacionais no cumprimento e contabilização da cota, estipulada em 1,106 milhão de toneladas para o Brasil, sem aplicação da taxa adicional de 55%. Há três demandas principais: a redistribuição para o Brasil no último trimestre de volumes de cotas que não forem cumpridas pelos demais exportadores, a não contabilização de cargas em alto-mar, em trânsito ou em desembaraço alfandegário no país asiático na cota alocada ao Brasil (estimadas em 250 mil toneladas) e a administração compartilhada da cota entre governo brasileiro e governo chinês, com uma espécie de licença de importação.

As propostas já foram apresentadas pela área técnica dos ministérios envolvidos a técnicos do Ministério do Comércio da China (Mofcom) em reunião virtual há duas semanas. Segundo o Ministério da Agricultura, os pedidos foram levados às autoridades chinesas e estão em avaliação. Há expectativa de novas conversas bilaterais, confirmando os pleitos brasileiros. O pedido do governo, embasado na demanda dos exportadores de carne bovina, ocorre após a China anunciar que vai impor cotas específicas por país para importação de carne bovina com a aplicação de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a quantidade. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país em 31 de dezembro e está em vigor desde o dia 1º de janeiro. As medidas serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028 e atingem os principais exportadores da carne bovina. O Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais neste ano, cerca de 600 mil toneladas menos que as 1,7 milhão de toneladas de carne bovina exportadas para a China no último ano.

O governo brasileiro vem mantendo contato com os pares chineses para esclarecimentos de questões técnicas acerca da salvaguarda antes mesmo do anúncio oficial da medida em dezembro de 2025, quando a China consultava governos e setores privados em audiências acerca da salvaguarda. Até o momento, o Executivo descarta eventual acionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a medida, já que o governo considera que a medida não foi uma surpresa e que está dentre as possibilidades previstas por órgãos multilaterais como proteção ao comércio local. Como os pedidos brasileiros já foram encaminhados às autoridades chinesas e ainda não há conclusões sobre os pleitos, a aposta do Brasil é em elevar a discussão com a interlocução direta de Alckmin e seu par chinês. Após essa consulta formal, o lado chinês tende a firmar um prazo para resposta, considerando o histórico de tratativas anteriores. Nos bastidores, fontes do Executivo já admitem que a gestão compartilhada da cota é difícil de ser aceita pela China, mas esperam chegar a um meio termo tanto para a redistribuição de cotas não usadas integralmente quanto para que não sejam consideradas as cargas em alto mar.

Caso a conversa não avance, o diálogo pode escalar e envolver diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Xi Jinping. A primeira tentativa será subir o nível diplomático com Alckmin. Se for frustrada, o próximo passo é pedir envolvimento pessoal do presidente Lula. Há perspectiva de negativas e ressalvas no âmbito técnico, como China já fez com Austrália negando desconsiderar volume embarcado, mas, do ponto de vista político, há espaço para negociação e para uma decisão top-down, como já ocorreu em outras situações. Um executivo da indústria lembra que o presidente Lula já atuou duas vezes em casos semelhantes. No ano passado, Lula pediu pessoalmente a Xi Jinping que o país voltasse a comprar frango brasileiro após um caso de gripe aviária. A ligação destravou uma auditoria presencial da China no sistema sanitário brasileiro e a retomada dos embarques em novembro. Outro episódio ocorreu em junho de 2023, quando o presidente Lula fez um movimento semelhante para liberar embarques de carne bovina à China. Na época, Lula se envolveu pessoalmente para tentar destravar cerca de 40 mil toneladas de carne brasileira retida em contêineres na China, equivalente a R$ 2,5 bilhões.

Na ocasião, o presidente Lula também ligou para Xi a fim de pedir a liberação da proteína congelada exportada e produzida antes da confirmação de um caso atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (conhecida como mal da vaca louca) em 23 de fevereiro daquele ano, quando o país asiático suspendeu temporariamente as exportações do produto brasileiro. A liberação ocorreu cerca de 20 dias após o telefonema. Desta vez, a estratégia é acionar o presidente Lula em último caso, apenas se as tratativas não prosperarem. Ainda haverá discussões técnicas e níveis políticos. A ‘bala de prata’ é levar o tema ao nível presidencial. Parte do setor cobra uma ação mais firme do governo Lula no caso e, para sensibilizar o Executivo, apelam para o elevado número de empregos gerados pelo setor. Do lado da indústria, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que as preocupações do setor já foram levadas ao governo. O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, conversou por telefone com o vice-presidente da China, Han Zheng, na manhã desta quarta-feira (28/01). A agenda durou cerca de trinta minutos.

As autoridades discutiram temas de interesse da agenda bilateral e coincidiram quanto ao excelente estado das relações sino-brasileiras. Um dos temas da conversa foi a aplicação de salvaguarda pela China sobre a carne bovina importada, incluindo a brasileira. Durante o telefonema, Alckmin demonstrou preocupação com as salvaguardas aplicadas pela China às exportações de carne bovina. O presidente em exercício ressaltou ao vice-presidente chinês a relevância do setor pecuarista para a economia brasileira e enfatizou a importância do tema para o governo brasileiro. A ligação entre os vice-presidentes integra a estratégia do governo brasileiro em elevar o diálogo com a China ao "alto nível" a fim de negociar flexibilizações no âmbito da salvaguarda imposta pelo país asiático sobre a carne bovina. O pleito brasileiro é para que sejam considerados ajustes operacionais no cumprimento e contabilização da cota prevista no âmbito das medidas de salvaguarda chinesa. O pedido do governo, embasado na demanda dos exportadores de carne bovina, ocorre após a China anunciar que vai impor cotas específicas por país para importação de carne bovina com a aplicação de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a quantidade.

As medidas serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028 e atingem os principais exportadores da carne bovina. O Brasil, principal fornecedor ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais neste ano, cerca de 600 mil toneladas menos que as 1,7 milhão de toneladas de carne bovina exportadas para a China no último ano. Alckmin e Han Zheng destacaram o crescimento de 8,2% da corrente de comércio bilateral em 2025, quando foi batido o recorde de US$ 171 bilhões. As autoridades reafirmaram o compromisso mútuo de preservar o diálogo com vistas à ampliação e diversificação das relações comerciais entre Brasil e China. Também trataram das oportunidades de investimentos nos dois países, com destaque para as áreas de infraestrutura, tecnologia, inovação e sustentabilidade. Alckmin também convidou Han Zheng a participar da próxima reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) no Brasil, em data ainda a ser definida. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.