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11/Feb/2026

Boi: 1º semestre concentrará exportações com salvaguardas

A imposição de salvaguardas pela China sobre a importação de carne bovina tende a alterar o padrão histórico das exportações brasileiras ao longo de 2026, com maior concentração de embarques no primeiro semestre. A avaliação é de executivos da dsm-firmenich, diante da cota estabelecida pelo país asiático para o Brasil, de 1,1 milhão de toneladas no ano, volume inferior às 1,7 milhão de toneladas exportadas em 2025.

Segundo o gerente de Confinamento da dsm-firmenich, Walter Patrizi, o comportamento das exportações deve ser atípico neste ciclo. A expectativa é de maior volume embarcado no primeiro semestre, diferentemente do padrão histórico, no qual o segundo semestre costuma concentrar a maior parte das vendas externas. Esse movimento estaria associado ao esforço da indústria para cumprimento das cotas impostas tanto pela China quanto pelos Estados Unidos.

Patrizi acrescenta que informações da área de inteligência da companhia na China indicam a possibilidade de retomada de conversas entre os governos ao fim do primeiro semestre, com avaliação do cumprimento das cotas. Caso alguns países não consigam utilizar integralmente seus volumes autorizados, existe a possibilidade de ampliação da cota brasileira.

O redirecionamento de excedentes, no entanto, preocupa o setor. A estimativa é de que até 3,5 milhões de cabeças de gado precisem ser direcionadas a novos mercados. O diretor da Unidade Operativa de Ruminantes da dsm-firmenich para Brasil, Paraguai e Uruguai, Túlio Ramalho, destaca que o impacto é relevante, considerando que o Brasil abate cerca de 40 milhões de cabeças por ano.

Entre as alternativas, a Argentina surge como possível destino indireto. A avaliação é de que o Brasil poderia atender parte do mercado interno argentino, enquanto o país vizinho direcionaria sua produção para exportação, em um modelo de triangulação. Ainda assim, Ramalho pondera que há incertezas quanto à capacidade da Argentina de atender simultaneamente seus mercados tradicionais e absorver volumes adicionais.

Além da Argentina, Hong Kong volta a aparecer como comprador, e outros mercados podem emergir ao longo do ano. Contudo, o rearranjo da pauta exportadora tende a ser gradual, envolvendo negociações contratuais e adequações de cortes. A expectativa é de que, ao longo do segundo semestre, a indústria brasileira, liderada pela Abiec, consiga ajustar os fluxos e mitigar impactos mais intensos.

No confinamento, Patrizi observa que os dados atuais indicam entre 15% e 20% mais bois confinados em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, ele ressalta que esse número não representa necessariamente uma projeção para o ano todo, mas sinaliza maior oferta de animais terminados no curto prazo.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.