ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

12/Feb/2026

Boi: oferta restrita e com forte ritmo das exportações de carne

Apesar das preocupações iniciais com as cotas de exportação impostas pela China ao mercado global de carne bovina, o ano de 2026 começa confirmando a força da demanda externa pela proteína brasileira.

Segundo dados da Secex, o Brasil exportou 258,94 mil toneladas de carne bovina em janeiro, volume recorde para o mês e superior ao melhor início de ano até então, registrado em 2025, quando foram embarcadas 206,68 mil toneladas. O avanço foi de 25,3% na comparação anual.

A China respondeu por 46,3% do total exportado em janeiro. Em 2025, a participação média do país asiático foi de 47,67%, com 1,648 milhão de toneladas embarcadas ao longo do ano. Mantido o ritmo observado em janeiro, o Brasil pode completar a cota de 1,106 milhão de toneladas destinada à China já em setembro.

Somente em janeiro, foram enviadas 119,63 mil toneladas ao mercado chinês, o maior volume já registrado para um mês de janeiro. A diferença entre o volume exportado à China em 2025 e a cota vigente para 2026 é de 542,81 mil toneladas, que deverão ser redirecionadas a outros destinos ou absorvidas pelo mercado doméstico.

Os Estados Unidos aparecem como segundo principal destino, com participação de 11,53%. Em janeiro, os embarques somaram 29,85 mil toneladas, alta de 9,6% ante dezembro e de 57,3% na comparação com janeiro do ano anterior. Em 2025, mesmo diante de medidas tarifárias adotadas em agosto, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano alcançaram 271,74 mil toneladas, recorde histórico.

Se o ritmo observado em janeiro se mantiver, os embarques aos Estados Unidos podem atingir 360 mil toneladas em 2026, quase 100 mil toneladas acima de 2025, contribuindo para absorver parte do excedente potencial frente à cota chinesa.

Dados do USDA indicam que os estoques globais de carne bovina em 2026 serão os menores desde 2006. No caso da carne suína, o volume projetado é o mais baixo desde 2021, reforçando a necessidade de importações por parte de diversos países e sustentando a posição do Brasil como fornecedor estratégico.

Receita e preços sustentados

A receita com exportações em janeiro totalizou US$ 1,39 bilhão, a maior já registrada para um mês de janeiro. O valor representa alta de 40% frente a janeiro de 2025 e de 55,32% em relação a janeiro de 2024. Na comparação com dezembro, quando a receita foi de US$ 1,83 bilhão, houve recuo de 24,1%.

O desempenho foi impulsionado não apenas pelo maior volume embarcado, mas também pela sustentação dos preços. Em janeiro, o preço médio da carne bovina exportada foi de US$ 5.530,07 por tonelada, patamar observado desde maio de 2025.

Em fevereiro, considerando os cinco primeiros dias úteis, a média diária exportada de carne in natura alcançou 13,6 mil toneladas, 43,5% acima da média de fevereiro de 2025. O preço médio no período está em US$ 5.619,40 por tonelada.

Mercado interno firme e oferta restrita

Entre 30 de janeiro e 10 de fevereiro, o Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) acumulou alta de 3,18%, fechando a R$ 337,30 à vista. O movimento reflete oferta limitada de animais para abate.

As chuvas favoreceram a recuperação das pastagens, permitindo retenção de animais no campo por mais tempo. Ao mesmo tempo, os lotes de confinamento ainda não estão plenamente disponíveis, reduzindo a oferta imediata. As escalas de abate variam entre 3 e 8 dias.

Frigoríficos com escalas mais curtas acabam ofertando preços maiores para recompor programações, enquanto outros optam por reajustes pontuais em fêmeas para completar a capacidade de abate.

No atacado da Grande São Paulo, os cortes com osso seguem em valorização. No acumulado de fevereiro, o traseiro subiu 2,1%, o dianteiro 7,5%, a ponta de agulha 2,3% e a carcaça casada 3,9%, reforçando o ambiente de mercado firme no início do ano.

Fonte: Cepea e Secex. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.