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23/Feb/2026

Lácteos: Nestlé avalia venda da divisão de sorvetes

A Nestlé anunciou na quinta-feira (19/02), que está em negociações avançadas para vender sua divisão remanescente de sorvetes para a Froneri, joint venture que ela mesma criou em parceria com o fundo de investimentos PAI Partners. A decisão é parte de uma reestruturação profunda da companhia, que busca se concentrar em quatro pilares: café, cuidados com animais de estimação, nutrição e alimentos e snacks. O movimento é assinado pelo novo CEO da Nestlé, Philipp Navratil, que assumiu o cargo em setembro de 2025. A Froneri não é exatamente uma empresa alheia à Nestlé visto que a suíça detém 50% da joint venture. Esta última foi criada em 2016 a partir da fusão das operações europeias de sorvetes da Nestlé com a R&R, empresa britânica do setor. A Froneri já controla marcas como Häagen-Dazs e, com a compra, passará a deter 100% das operações que ainda estavam sob o guarda-chuva direto da Nestlé.

As negociações envolvem a venda das operações de sorvetes no Canadá, Chile, Peru, China, Malásia e Tailândia, e as marcas incluídas no pacote vão de D’Onofrio e Parlour a Real Dairy e Lafrutta. No Brasil, as marcas de sorvete da Nestlé são LaFrutta (linha de picolés e sorvetes de frutas), Mega (linha de picolés de creme), Especialidades (sorvete de pote napolitano com Lollo, Galak e Sensação), versões especiais de Prestígio, Galak e Crocante, além da linha tradicional de sorvetes de pote de diversos sabores. A saída dos sorvetes não é uma decisão isolada. A Nestlé também anunciou o desinvestimento de sua divisão de águas e bebidas premium, que inclui marcas como Perrier e San Pellegrino, com prazo estabelecido para 2027. Vitaminas e suplementos também estão na lista de ativos a serem vendidos.

O contexto financeiro explica a urgência. Em 2025, as vendas somaram 89,49 bilhões de francos suíços, abaixo dos 91,35 bilhões registrados no ano anterior, e o lucro líquido caiu 17%, para 9,03 bilhões de francos. O maior recall de fórmulas infantis da história da empresa, que afetou mais de 60 países, também pesou no resultado, com custo estimado de 75 milhões de francos suíços em devoluções e baixas de estoque. Do lado positivo, a empresa informou que já alcançou 20% dos 3 bilhões de francos suíços em economias de custos previstas até o fim de 2027, e as ações subiram cerca de 2,8% após o anúncio, sendo a maior alta em quatro meses. Para 2026, a Nestlé projeta crescimento orgânico de vendas entre 3% e 4%. Para Navratil, o recado é claro: a Nestlé do futuro será mais focada, mais ágil e menos dependente de categorias intensivas em capital e com margens mais apertadas. Fontes: portal GKPB e Isto é Negócios.