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23/Feb/2026

Carnes: Brasil quer abrir mercados na Coreia do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou no domingo (22/02) na Coreia do Sul com duas missões do agronegócio brasileiro: avançar na abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina nacional e ampliar o comércio para carne suína. Os pleitos são as prioridades da agenda comercial do Brasil no país asiático, segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. O Brasil ambiciona ainda exportar uva para o mercado sul-coreano, com as tratativas técnicas em andamento. A intenção do governo é destravar as negociações a partir da visita presidencial. Há mais de 20 anos, o Brasil busca a abertura de mercado para carne bovina. A Coreia do Sul é um grande player e o governo brasileira insistirá com determinação na abertura, afirmou Fávaro. "Abrimos o México e o Vietnã, que eram tabus. Avançamos com o Japão, o qual deve-se finalizar neste primeiro semestre. Agora, vamos focar na Coreia do Sul", acrescentou. Embora pretendam dar impulso político às negociações, nos bastidores, integrantes do governo reconhecem que são pequenas as chances de anúncios concretos nos temas.

A expectativa é por avanços nas tratativas, ainda sem uma decisão coreana sobre a abertura do mercado doméstico para a carne bovina brasileira e pela compra do produto suíno de outros Estados. Em relação à carne bovina, as autoridades sul-coreanas já realizaram uma auditoria no sistema sanitário nacional em meados de 2023, conduzida pelo Ministério da Segurança Alimentar e Farmacêutica (MFDS), com foco em saúde pública, faltando a realização de uma segunda vistoria pelo Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais (Mafra), com foco em saúde animal. As negociações bilaterais para abertura de carne bovina iniciaram em 2008. Além da auditoria do Mafra, restam como etapas pendentes para exportação a conclusão da análise de risco pela Coreia do Sul, a retirada formal da proibição, a deliberação pela Assembleia Nacional, o que é considerado sensível do ponto de vista político, a elaboração do certificado sanitário e a habilitação das plantas brasileiras. A abertura tende a não sair este ano ainda, mas com a visita há possibilidade de uma nova auditoria e celeridade no processo.

O prazo médio para o processo gira em torno de três a quatro anos, já que na Coreia do Sul um eventual acordo sanitário depende da aprovação do Parlamento sul-coreano. O aval para entrada da carne da França e da Irlanda do Norte, por exemplo, levou dois anos. A expectativa de movimentação é compartilhada pelos exportadores. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que integra a missão, acompanha as tratativas para a abertura de mercado, participando há anos das discussões técnicas. A perspectiva é positiva diante do histórico de relação bilateral e da ligação do presidente Lula com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, o que pode contribuir para o avanço das negociações. A Abiec destacou que a Coreia do Sul importou cerca de 500 mil toneladas de carne bovina de outras origens em 2025, representando cerca de 10% do mercado mundial, o que mostra a importância do país no comércio internacional da proteína. É um mercado promissor que demanda carne com maior marmoreio, rastreabilidade rigorosa e padrões de qualidade superiores.

No caso da carne suína, o Brasil busca a ampliação do acesso ao mercado sul-coreano. Hoje, Santa Catarina é o único Estado autorizado a exportar a proteína suína para a Coreia do Sul, um dos primeiros Estados a obter reconhecimento de livre de febre aftosa sem vacinação. A nova empreitada brasileira considera o novo status sanitário do País, já que o todo o território nacional foi reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) no ano passado. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que integra a missão oficial, também defende o reconhecimento pelo governo sul-coreano de mais Estados como livres de febre aftosa sem vacinação. Na análise da entidade, a habilitação específica de Rio Grande do Sul, Paraná, Acre e Rondônia possibilitaria a ampliação das exportações de carne suína, incluindo carne com osso e miúdos, agregando maior valor às vendas. O Brasil já exporta carne suína para a Coreia do Sul, mas gostaria do reconhecimento de mais Estados como livre de febre aftosa sem vacinação, mesmo que todo o território brasileiro já seja reconhecido.

Estes quatro Estados já estão com documentação pronta e reconhecidos há mais de dois anos com esse status sanitário. A Coreia do Sul é um dos principais importadores mundiais de carne suína, internalizando cerca de um terço do total consumido, com em torno de 700 mil toneladas por ano, aproximadamente US$ 2 bilhões, e consumo de cerca de 29 Kg per capita. A participação do Brasil, entretanto, ainda é pequena, de 8% a 10%. Europa e Estados Unidos respondem juntos por aproximadamente 80%. Em 2025, o País exportou 20,801 mil toneladas de carne suína para a Coreia do Sul, gerando receita de US$ 50,807 milhões. O foco agora é abrir para carne suína do Rio Grande do Sul e Paraná, o que pode ampliar expressivamente o market share do Brasil. A indústria de proteína animal busca avanços ainda na Coreia do Sul quanto à regionalização para Influenza Aviária. O setor pleiteia que a regionalização, hoje por Estado, seja limitada a municípios para que em eventuais casos da doença os embargos comerciais sejam restritos. O protocolo de regionalização foi firmado pelos países no ano passado, quando o Brasil registrou um caso de gripe aviária no plantel comercial e as exportações para lá ficaram quase três meses suspensas.

A Coreia do Sul é o oitavo principal destino do frango nacional, com embarques que somaram 185,715 mil toneladas em 2025 e receita de US$ 378,572 milhões. O Brasil exportou 4,212 milhões de toneladas de produtos agropecuários para a Coreia do Sul em 2025, com geração de receita de US$ 2,486 bilhões. Os principais itens exportados são farelo de soja, etanol, carne de frango, café verde e celulose. As importações brasileiras de produtos agropecuários sul-coreanos alcançaram 8,099 mil toneladas no ano passado, com desembolso de US$ 19,018 milhões, em especial de papel. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que 41 instituições e empresas ligadas ao setor agropecuário participam da comitiva presidencial. Entre elas, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Abiec, ABPA, e executivos de grandes frigoríficos, como MBRF, Minerva e Seara (da JBS). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.