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23/Feb/2026

Boi: avanço sanitário Brasil-China sobre “vaca louca”

A China reconheceu o Brasil como "risco negligenciável" (insignificante) para a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), doença conhecida popularmente como "mal da vaca louca". O reconhecimento foi comunicado pelas autoridades sanitárias chinesas ao governo brasileiro. O novo status sanitário concedido pela China ao Brasil deve permitir o avanço da abertura do mercado chinês para carne com osso, miúdos suínos e bovinos brasileiros e cálculo da vesícula biliar de bovinos (pedra de fel). O risco insignificante para EEB é considerado pelas autoridades sanitárias chinesas uma condição precedente para o avanço das tratativas. "As negociações para essas aberturas continuam. Um novo e importante passo foi dado", disse uma fonte. Uma comitiva técnica do governo brasileiro está prevista para março à China para prosseguimento dos temas bilaterais, o que inclui os acordos quanto aos protocolos sanitários para a venda de subprodutos bovinos e suínos.

O Brasil detém o status de risco insignificante para EEB conferido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) desde 2012, dado que o País nunca diagnosticou a forma clássica da doença, que é a mais grave, e que os poucos casos de EEB atípica já registrados foram espontâneos e não representam risco à saúde pública. O último caso da doença detectado no Brasil foi em fevereiro de 2023. Ao todo, segundo a OMSA, o Brasil registrou apenas seis focos de EEB atípico tipo H em mais de 25 anos de vigilância da doença. A indústria local aguardava o reconhecimento chinês a fim de exportar carne com osso e subprodutos bovinos e suínos para a China. "O processo para comercializar pedra de fel está bastante avançado e, com isso, pode ser concluído ainda neste ano", apontou um executivo de grande frigorífico. O reconhecimento do status pela autoridade chinesa pode abrir espaço até mesmo para a revisão do protocolo de exportação entre os países, firmado em 2015, o qual prevê atualmente a suspensão imediata e total das exportações brasileiras de carne bovina em caso de ocorrência do “mal da vaca louca”.

O Brasil quer atualizar a cláusula referente aos embargos em casos de doença da vaca louca atípica. O governo brasileiro pleiteia a chamada regionalização dos embargos, ou seja, em casos do “mal da vaca louca” a suspensão das exportações de carnes da região seria restrita ao raio do local em que o caso foi constatado até a confirmação se um caso atípico ou não, enquanto a China estuda a flexibilização conforme a idade do animal. Reconhecendo o Brasil como risco negligenciável, não há necessidade de fechar as exportações, mantendo-se os comunicados bilaterais. O aceite sanitário ocorreu após auditoria presencial conduzida pela Administração Geral de Alfândega da China (GACC) no País em setembro do ano passado. Para análise do sistema sanitário brasileiro, no âmbito do controle, inspeção e rastreabilidade bovina, os inspetores chineses vistoriaram frigoríficos em Marabá (PA), em Pirapozinho (SP) e fazenda de pecuária em Presidente Prudente (SP).

Na ocasião, o Departamento de Alfândegas da China (GACC) também realizou uma visita técnica ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Recife (PE) para auditoria e avaliação da capacidade de diagnóstico do laboratório e métodos de detecção relacionados à EEB. Com o progresso do ponto de vista sanitário, a expectativa do governo e do setor produtivo é de que a China possa fazer novos anúncios (tanto comerciais quanto de protocolos) no âmbito da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), que será no Brasil. A possibilidade é de que o encontro, principal mecanismo de diálogo bilateral, ocorra em agosto. Há uma tradição diplomática chinesa em fazer "entregas" bilaterais no âmbito da Cosban. Apesar do reconhecimento chinês do status sanitário insignificante para EEB integrar o pacote de medidas compensatórias pleiteadas pelo Brasil para minimizar o impacto decorrente das salvaguardas à carne bovina, a demanda já estava em negociação e análise anterior entre os países, tendo sido atendida pela China previamente ao reforço brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.