24/Feb/2026
Em janeiro, a exportação de bovinos vivos foi de 170,4 mil cabeças, o melhor mês da história quando o quesito é a quantidade exportada. O faturamento, também foi recorde: o País recebeu US$ 208,7 milhões com a venda desses bovinos. Os principais países compradores foram a Turquia, com 67,3 mil cabeças, seguido pelo Iraque e pelo Marrocos, com 47,4 e 40,4 mil cabeças, respectivamente. O Pará liderou a exportação, com 77,2 mil cabeças, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 53,2 mil cabeças e por Estados “não declarados”, com 27,2 mil cabeças. Como os bovinos dos Estados “não declarados” foram exportados pelo Porto de São Sebastião (SP), presume-se que sejam de fora do eixo Pará-Rio Grande do Sul (normalmente são exportados pelo Porto de Vila do Conde-PA e Rio Grande-RS), o que seria um fato notável. Além disso, Roraima e Mato Grosso do Sul exportaram via terrestre para a Guiana e para a Bolívia, respectivamente.
A exportação de gado em pé é um canal de escoamento da produção que estimula a atividade econômica do campo até o porto, adicionando uma etapa extra de geração de valor no caminho. Para o produtor, é uma alternativa de comercialização: amplia as opções de escoamento e reduz a dependência de poucos compradores. Nas regiões em que há muita exportação de gado, como por exemplo no Pará e no Rio Grande do Sul, isso aparece no preço e, na maioria das vezes, considerando o preço FOB (Free on Board) há um ágio frente ao mercado interno (MI). No Pará, em janeiro, os bovinos classificados pela Scot Consultoria como “boi gordo” foram vendidos ao exterior com ágio médio de 38,0% sobre o MI. A arroba exportada ficou em R$ 417,80, frente a R$ 302,73 no MI, considerando a média mensal das praças pecuárias no Estado. No Pará, o boi magro exportado teve 15,0% de ágio com a arroba FOB em R$ 394,27, frente a R$ 342,88 no mercado interno.
No Rio Grande do Sul, os prêmios foram mais elevados: 45,7% para o boi magro e 63,0% para o garrote, com arroba FOB de R$ 486,35 e R$ 467,61, respectivamente, contra R$ 333,84 e R$ 286,80 no MI. Além do retrato pontual de janeiro, o histórico reforça que o preço FOB tende a caminhar paralelamente ao mercado interno. Ao longo do tempo, as duas séries seguem na mesma direção, altas e baixas acontecem praticamente nos mesmos ciclos, com a exportação operando acima do MI, refletindo um ágio variável. Isso sugere que o mercado interno é a referência de nível, enquanto a exportação acrescenta uma “camada” de preço que abre ou fecha conforme a demanda externa. Quando a exportação está mais ativa, o spread aumenta, quando perde força, ele tende a se comprimir, mas a trajetória continua alinhada ao movimento do MI. A lógica vale para a reposição, que tende a seguir o mesmo movimento de preço. O desempenho de janeiro/2026 não parece ter sido um ponto fora da curva, pois a principal importadora, a Turquia, sinalizou continuidade.
No fim de janeiro, o Ministério da Agricultura e Florestas da Turquia publicou circular criando uma cota permitindo a importação de até 500 mil cabeças de bovinos machos para engorda em 2026, número igual ao do ano passado e menor do que a cota de 2024, que foi de cerca de 620 mil cabeças. A perspectiva é de que dessas 500 mil cabeças, 450 mil sejam efetivamente adquiridas. Em 2024, a importação foi de 515 mil cabeças. E, embora os demais compradores de gado vivo tenham dados menos acessíveis e menos transparentes, a leitura também é de manutenção da demanda. Isso ganha força num contexto em que vários países estão com rebanhos menores e, portanto, oferta mais apertada de bovinos e de carne. Globalmente, o rebanho bovino está em queda nos últimos anos e o estoque de carne também em queda (USDA). Nesse cenário, a demanda pelo bovino vivo deve continuar firme e o Brasil, com a menor cotação da arroba do mundo, deve ter mais um bom desempenho da exportação em 2026. Fonte: Alcides Torres. Broadcast Agro.