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25/Feb/2026

Suíno: preços iniciam 2026 sob pressão no Brasil

Dados preliminares divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 12 de fevereiro confirmam que 2025 foi marcado por crescimento na produção das três principais proteínas animais no Brasil em relação a 2024. No caso da suinocultura, o avanço foi consistente: o abate de suínos aumentou 3,39% em número de cabeças e 4,46% em toneladas de carcaças ao longo do ano, evidenciando a retomada do crescimento produtivo. Mesmo com um dos destaques de 2025 sendo o maior peso médio das carcaças (93,07 Kg, contra 92,11 Kg em 2024), chama atenção o comportamento observado em dezembro/2025. O peso médio caiu para 90,23 Kg, o menor do período, sinalizando uma retenção relativamente baixa de suínos nas granjas na virada do ano.

Essa menor retenção em dezembro, porém, não foi suficiente para sustentar os preços pagos ao produtor no início de 2026. A combinação entre queda sazonal da demanda interna e externa, estoques remanescentes de 2025 e o chamado “efeito manada”, quando produtores antecipam vendas para evitar preços mais baixos, ampliando ainda mais a oferta, resultou em recuo das cotações do suíno vivo e das carcaças em todas as regiões do País. A situação foi agravada pela expressiva queda nos preços da carne de frango desde a virada do ano, reduzindo a competitividade da carne suína no varejo. Apesar do cenário de preços pressionados, 2025 foi um ano positivo para as exportações.

As vendas externas de carne suína in natura cresceram quase 12% em relação a 2024. O bom desempenho continuou em janeiro de 2026, com embarques superiores a 100 mil toneladas, alta de 14,2% frente a janeiro do ano anterior, impulsionada principalmente por Filipinas e Japão, enquanto a China manteve trajetória de queda como destino. Ainda assim, o aumento das exportações já não é suficiente para equilibrar totalmente o mercado interno diante do crescimento da produção. Entre as três proteínas, a carne bovina foi a que apresentou maior crescimento percentual de produção e exportação em 2025, com relativa estabilidade nos preços do boi gordo ao longo do ano.

No entanto, a esperada virada do ciclo pecuário deve ocorrer em 2026, com redução do abate e elevação das cotações, movimento que já começa a se refletir nas últimas semanas. Esse cenário tende a contribuir para a sustentação dos preços da carne suína. O principal risco está nas exportações de carne bovina para a China, que estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas para 2026, com sobretaxa de 55% sobre volumes excedentes. Caso a cota seja ultrapassada, parte da produção pode ser redirecionada ao mercado interno, ampliando a oferta doméstica.

Mesmo com milho e farelo de soja relativamente estáveis, a relação de troca do suíno com esses insumos vem se deteriorando há cinco meses consecutivos, pressionada pela queda nas cotações do suíno. Embora o cenário ainda não indique prejuízo generalizado, o alerta está aceso no setor. O movimento de baixa parece próximo do fim e os preços começaram a se estabilizar em meados de fevereiro. A suinocultura retomou o crescimento da produção, e a concorrência entre as carnes passa a ser determinante. A virada do ciclo da pecuária bovina pode ser o fiel da balança para sustentar os preços do suíno em níveis que garantam margens positivas ao longo de 2026. Fonte: ABCS. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.