04/Mar/2026
A Lactalis lançou na Espanha a bebida láctea pronta para beber Puleva Vita Calcio Colágeno, reforçando a estratégia de posicionamento em lácteos funcionais voltados à saúde óssea e articular. O movimento acompanha a ampliação do uso do colágeno em alimentos e bebidas, que ultrapassa a associação tradicional com estética e bem-estar e passa a integrar propostas ligadas à mobilidade e à longevidade.O produto foi desenvolvido em parceria com a Bioiberica e é o primeiro no mercado espanhol a incorporar colágeno nativo tipo II em formulação láctea pronta para consumo. A bebida oferece dose diária de 40 mg do ingrediente, quantidade associada em estudos clínicos a benefícios para as articulações.
O avanço ocorre em contexto de expansão do colágeno em diferentes categorias, como cremes para café, barras proteicas e shots funcionais. Dados da Mintel indicam que, nos Estados Unidos, mais da metade dos lançamentos com colágeno destacam benefícios para pele, cabelo e unhas, enquanto mais de um quarto enfatizam o teor proteico. Paralelamente, o ingrediente vem sendo associado à saúde óssea e articular, ampliando sua presença em produtos de nutrição esportiva e recuperação.
A escolha da Espanha como mercado de lançamento está alinhada ao perfil de consumo regional. A Europa apresenta média de ingestão de lácteos de 201 kg por habitante ao ano, acima da América do Norte, com 181 kg. A Espanha é o segundo maior produtor de leite fluido da União Europeia, respondendo por 15% da produção destinada ao consumo no bloco. A marca já atuava no segmento de saúde óssea com o Puleva Calcio, e a inclusão do colágeno nativo tipo II amplia o foco para mobilidade e suporte articular.
Do ponto de vista técnico, o colágeno nativo tipo II preserva sua estrutura helicoidal tripla, diferentemente do colágeno hidrolisado, que é fragmentado em aminoácidos e peptídeos. Quando ingerido, o tipo II atua especificamente nas articulações por meio de mecanismo mediado pelo sistema imunológico ao nível da cartilagem, modulando a resposta ao colágeno endógeno. A especificidade permite eficácia com apenas 40 mg diários, enquanto o colágeno hidrolisado pode demandar doses de até 10 g por dia, com atuação mais ampla que inclui pele e ossos.
A incorporação do ingrediente a matrizes lácteas, contudo, envolve desafios tecnológicos. Processos como UHT expõem o produto a temperaturas elevadas, com potencial impacto sobre estabilidade e funcionalidade. Variáveis como pH, oxigênio, luz e interações com outros componentes influenciam a manutenção da atividade biológica. Métodos analíticos específicos são empregados para assegurar a integridade do colágeno nativo tipo II ao longo do processamento e armazenamento.
No cenário global, a Mordor Intelligence projeta crescimento médio anual de 7,25% para o mercado de colágeno até 2031, impulsionado pela incorporação do ingrediente em categorias tradicionais de alimentos e bebidas de consumo diário. A busca por soluções voltadas à longevidade e mobilidade envolve diferentes perfis de consumidores, incluindo mulheres na menopausa, adultos de meia-idade e atletas, todos orientados por conveniência e prevenção. Ao integrar ciência nutricional, conveniência e posicionamento funcional, a nova bebida reforça a tendência de convergência entre lácteos e ingredientes bioativos como vetor de agregação de valor no segmento de alimentos. Fonte: Dairy Reporter. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.