04/Mar/2026
Brasil e Senegal firmaram protocolo de cooperação técnica com foco no desenvolvimento do setor leiteiro senegalês e na aceleração da autossuficiência em produtos lácteos. O acordo foi anunciado durante a segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20), realizada entre 24 e 28 de fevereiro, em Cartagena, na Colômbia.
A parceria prevê fortalecimento da cooperação científica entre a Embrapa e o Instituto Senegalês de Pesquisas Agrícolas, além da implementação de programa de transferência de embriões de gado Gir. O escopo inclui ainda estruturação sustentável da cadeia por meio de parcerias público-privadas, desenvolvimento de forrageiras e rações mais eficientes, capacitação em gestão de fazendas leiteiras modernas e reforço da mecanização agrícola e pastoril.
O Senegal figura entre os principais mercados de lácteos da África Ocidental, ao lado de Mauritânia, Nigéria, Gana e Togo, e busca reduzir a dependência externa. A aproximação com o Brasil é considerada estratégica em função da reconhecida competência brasileira em melhoramento genético de raças adaptadas a regiões tropicais e da relevância do País no mercado internacional de lácteos.
Desde 2017, o governo senegalês subvenciona a importação de gado de alto potencial produtivo como parte de seu programa de melhoramento genético. Em 10 de janeiro de 2026, foram incorporadas 1.050 cabeças das raças Guzerá e Girolando, originárias do Brasil, no âmbito de parceria com o Grupo para o Melhoramento Genético e Pecuária Pastoral e Extensiva no Senegal.
Apesar dos esforços, o País registra avanço nas importações de lácteos. Dados da Agência Nacional de Estatísticas e Demografia indicam que as compras externas passaram de 28.973 toneladas em 2020 para 33.745 toneladas em 2024. No mesmo intervalo, o valor das importações cresceu 34,3%, alcançando 65,73 bilhões de francos CFA, equivalentes a US$ 118,2 milhões, refletindo a expansão da demanda doméstica acima da capacidade de oferta local.
A cooperação técnica com o Brasil insere-se, portanto, em estratégia de médio e longo prazo para ampliar produtividade, eficiência e competitividade da cadeia leiteira senegalesa, reduzindo a dependência externa em um mercado regional em crescimento. Fonte: Agência Ecofin. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.