04/Mar/2026
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a escalada do conflito no Oriente Médio amplia os riscos para a cadeia brasileira de carne bovina, com potencial impacto sobre 30% a 40% das exportações do produto. Há dependência logística da região para o escoamento da proteína animal brasileira. Embora aproximadamente 10% das exportações tenham como destino final países do Oriente Médio, o impacto indireto é significativamente maior, uma vez que parte relevante das cargas realiza escalas na região ou depende de empresas sediadas localmente para alcançar mercados no Sudeste Asiático e outros destinos. Essa estrutura logística amplia a exposição do setor aos desdobramentos do conflito.
Novos embarques encontram-se paralisados, sem disponibilidade de bookings e com escassez de contêineres destinados à região. Nos casos em que há oferta, companhias marítimas passaram a cobrar adicional de até US$ 4 mil por contêiner, sob a justificativa de taxa de guerra, o que compromete a viabilidade econômica das operações. O Brasil tem exportado entre 200 mil e 250 mil toneladas mensais de carne bovina. Caso a interrupção logística seja resolvida em curto prazo, o impacto tende a ser limitado. No entanto, se o impasse se estender por até cinco semanas, o efeito poderá atingir até 30% do volume exportado no mês, com reflexos diretos sobre receita e fluxo de caixa das empresas.
A eventual redução do escoamento externo pode desencadear efeito sistêmico na cadeia produtiva, diante da limitação de redirecionamento de volumes para outros mercados já abastecidos. Nesse cenário, há risco de diminuição do ritmo de abates, com impactos sobre frigoríficos e pecuaristas. Diante do quadro, a Abiec pretende formalizar ao governo federal pedido de atenção ao setor, defendendo atuação diplomática para mitigar entraves comerciais e, em caso de prolongamento da crise, eventual apoio econômico. A entidade avalia que linhas de crédito podem ser instrumento relevante para preservar a estrutura da cadeia produtiva em ambiente de elevada volatilidade logística e comercial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.