05/Mar/2026
A produção brasileira de carne bovina deverá recuar 2% em 2026, totalizando 12,4 milhões de toneladas em equivalente carcaça (TEC), conforme projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A retração sucede um ano de desempenho elevado: em 2025, o País produziu 12,7 milhões de TEC e liderou as exportações globais pelo nono ano consecutivo, posição que tende a ser mantida em 2026.
As exportações estão estimadas em 4,15 milhões de TEC em 2026, queda de 5% frente ao recorde de 4,38 milhões de TEC embarcados em 2025. O volume deverá corresponder a 33% da produção nacional. A redução reflete menor disponibilidade interna de animais, diante da reversão do ciclo pecuário, além de restrições comerciais impostas por parceiros estratégicos.
A China, principal destino em 2025, responsável por 51,2% dos embarques brasileiros, instituiu salvaguarda por meio de cota tarifária que limita as importações a 1,1 milhão de toneladas ao longo de três anos, com tarifa de 12% dentro da cota e sobretaxa de 55% acima desse volume. O mercado chinês permanece como principal variável para o desempenho das exportações.
Os Estados Unidos, segundo maior destino em 2025 com 8,8% dos embarques e crescimento de 17,8% no volume, concederam à Argentina cota isenta de imposto de 100 mil toneladas em 2026, o que pode redirecionar parte da demanda ao concorrente regional. No México, a retirada da isenção tarifária para carnes provenientes de países sem acordo de livre comércio restringe o acesso brasileiro, após o país ter mais que dobrado as compras em 2025. Em contrapartida, a formalização do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, em janeiro de 2026, amplia perspectivas de crescimento no médio prazo.
No mercado interno, o consumo está projetado em 8,35 milhões de TEC em 2026, recuo de 1%. O comprometimento da renda das famílias permanece elevado: segundo o Banco Central do Brasil, 49,8% da renda anual estava comprometida com dívidas em dezembro de 2025, próximo do recorde histórico de 49,9% observado em julho de 2022, fator que limita o poder de compra.
As importações brasileiras devem alcançar 50 mil toneladas TEC em 2026, avanço de 14%. O Paraguai liderou os embarques ao Brasil em 2025, com 60% do total, seguido por Uruguai e Argentina, que juntos responderam por mais de 94% das aquisições externas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.