06/Mar/2026
Em São Paulo, o mercado físico do boi gordo registra estabilidade nas cotações, em um cenário de cautela marcado pelo recrudescimento do conflito no Oriente Médio. A região, além de grande consumidora de carne bovina, também atua como "entreposto" no comércio global e, com os portos fechados, a preocupação se intensifica. Em decorrência desse quadro geopolítico, parcela da indústria optou por sair das compras, adotando uma postura de espera prudencial até que se delineiem com maior clareza os desdobramentos do conflito e seus reflexos sobre a dinâmica do comércio internacional.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), de 30% a 40% das exportações brasileiras do produto passam, de alguma forma, pela região, o que amplia de forma significativa o risco para a cadeia produtiva. A interrupção do fluxo comercial pode provocar um efeito em cadeia. Sem o escoamento das vendas, haverá excedentes. Os mercados estão saturados. A redução da demanda externa pode levar à diminuição de abates e criará um efeito sistêmico no setor que é muito prejudicial.
Em São Paulo, o boi gordo está cotado a R$ 352,00 por arroba a prazo; a vaca gorda, a R$ 325,00 por arroba a prazo; a novilha gorda, a R$ 337,00 por arroba a prazo; e o "boi China", a R$ 355,00 por arroba a prazo. As escalas de abate estão, em média, para seis dias. As indústrias que estão com escalas mais confortáveis fazem oferta de compra abaixo das referências, mas com acordos pontuais. A grande maioria dos negócios ainda ocorre dentro das referências.
Em Goiás, a oferta de boi gordo está restrita, enquanto a de fêmeas está mais confortável. Algumas indústrias exportadoras, por conta do conflito no Oriente Médio, estão reduzindo suas compras e outras estão saindo das negociações, mantendo a cotação de todas as categorias estável. No Espírito Santo, a procura por boiadas está aquecida, mas não o suficiente para alterar a cotação. Em Mato Grosso, o boi gordo está cotado a R$ 336,00 por arroba; em Alagoas, a R$ 335,00 por arroba; e em Rondônia, a R$ 307,00 por arroba. Para os próximos meses, o comportamento das cotações dependerá do ritmo das exportações, da reposição nos confinamentos e da evolução da oferta de bovinos terminados.