06/Mar/2026
O mercado brasileiro de boi gordo iniciou 2026 com fundamentos mais apertados, sustentados pela redução dos abates, aumento da retenção de fêmeas e desempenho robusto das exportações de carne bovina. Avaliação apresentada em relatório do BTG Pactual indica que o setor pecuário começa a transitar para uma fase de menor oferta dentro do ciclo produtivo, com viés estrutural de sustentação para os preços.
Após um período de abates elevados, dados recentes apontam desaceleração da oferta de animais no primeiro bimestre do ano. Paralelamente, a intensificação da retenção de matrizes tende a reduzir a disponibilidade futura de gado para abate, reforçando o quadro de restrição de oferta. Nesse contexto, as cotações do boi gordo alcançaram patamares historicamente elevados, superando R$ 350 por arroba no mercado de São Paulo.
O comércio exterior permanece como principal fator de sustentação do mercado. Em janeiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina (considerando carcaças, cortes com ou sem osso e bovinos vivos) somaram 309 mil toneladas, volume 44% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. As carnes desossadas congeladas seguem como principal item da pauta exportadora, respondendo por cerca de 80% dos embarques ao longo do ano. Ainda, deve haver crescimento gradual da participação de cortes frescos ou refrigerados e de exportações de gado vivo, segmentos que apresentam maior valor agregado.
No mercado de gado vivo, a diferença de preços entre os mercados externo e doméstico tem se destacado. Em 2025, o preço médio FOB das exportações para a Turquia alcançou US$ 84 por arroba, enquanto o indicador do boi gordo no mercado interno registrou média de US$ 56 por arroba no mesmo período. A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira.
Em janeiro de 2026, os embarques para o país asiático avançaram 32% na comparação anual. No entanto, a adoção de um sistema de quotas tarifárias tende a modificar a dinâmica do comércio. Pelo novo modelo, volumes importados dentro da cota pagam tarifas padrão, enquanto embarques acima do limite passam a sofrer sobretaxa adicional de 55%.
Para 2026, a cota global de importação chinesa foi fixada em 2,7 milhões de toneladas, das quais o Brasil detém cerca de 41%, equivalente a aproximadamente 1,1 milhão de toneladas. Segundo a análise, o formato do mecanismo tende a incentivar a antecipação dos embarques para aproveitamento do limite tarifário, alterando o ritmo tradicional das exportações ao longo do ano.
Apesar da perspectiva de receitas maiores com preços mais elevados, os custos de produção seguem em trajetória de alta. No sistema de cria, o custo total atingiu R$ 138,17 por arroba no quarto trimestre de 2025, aumento de 31% em relação ao ano anterior. Na recria e engorda, o custo alcançou R$ 260,23 por arroba, avanço de 52% no mesmo período. Nessa fase da produção, a aquisição do bovino representa aproximadamente 73% do custo total, refletindo a valorização do bezerro e o impacto da retenção de fêmeas sobre a oferta.
Mesmo diante de fundamentos considerados favoráveis, há riscos no curto prazo relacionados à volatilidade cambial, a mudanças nas regras do comércio internacional e à pressão de custos. Ainda assim, a avaliação é de que o setor entra em 2026 menos exposto a picos de oferta e com maior sustentação nos fundamentos de restrição produtiva e força exportadora, o que pode favorecer uma recomposição gradual das margens ao longo do ciclo pecuário. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.