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09/Mar/2026

Frango: guerra no Oriente Médio altera rotas marítimas

Exportadores brasileiros de carne de frango passaram a adotar rotas marítimas mais longas e alternativas para evitar áreas diretamente afetadas pelo conflito no Oriente Médio, diante das ameaças do Irã de atacar embarcações que trafeguem pelo Estreito de Ormuz. A mudança logística busca preservar o fluxo de exportações destinadas à região, um dos principais mercados do produto brasileiro.

A avaliação é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que acompanha os ajustes nas rotas adotadas pelas companhias de navegação. Inicialmente, armadores haviam informado que evitariam tanto o Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, quanto rotas que passam pelo Mar Vermelho. Com a evolução do conflito, parte das companhias voltou a aceitar rotas pela região, utilizando acesso pelo Golfo de Áden.

O Canal de Suez, por sua vez, permanece fechado preventivamente, o que limita as alternativas de navegação e força ajustes na logística. A mudança nas rotas pode ampliar o tempo de viagem e elevar os custos de transporte. Um embarque do Brasil para o Oriente Médio normalmente leva cerca de 40 dias, mas, sem acesso ao Canal de Suez, o trajeto pode se estender para até 52 dias.

Uma das alternativas logísticas é a navegação pelo Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, opção mais longa e com maior consumo de combustível. Outra estratégia é utilizar rotas pelo Mar Vermelho para acessar diretamente mercados como a Arábia Saudita, permitindo o transporte terrestre para os Emirados Árabes Unidos, principal destino regional do frango brasileiro.

Em alguns casos, os embarques podem ser direcionados a portos alternativos, como Khor Fakkan, localizado antes da passagem pelo Estreito de Ormuz. A partir desse ponto, a distribuição para outros destinos da região pode ocorrer por via terrestre.

Países como Catar e Kuwait enfrentam maiores restrições logísticas por dependerem da passagem pelo Estreito de Ormuz. Por outro lado, mercados como Omã e Iêmen podem ser atendidos sem a necessidade de atravessar o estreito, com desembarque possível no porto de Salalah.

A região do Oriente Médio é um destino estratégico para a proteína avícola brasileira. Em 2025, os países da região importaram cerca de US$ 3 bilhões em carne de frango do Brasil, volume equivalente a 29% das exportações totais do produto. Aproximadamente 200 mil contêineres são enviados anualmente para esses mercados, o que corresponde a cerca de 250 a 300 contêineres por dia.

Entre os principais compradores, os Emirados Árabes Unidos receberam cerca de 480 mil toneladas de frango brasileiro em 2025, respondendo por 72% das importações do produto pelo país. Já a Jordânia apresenta maior dependência relativa, com 92% das compras externas de frango provenientes do Brasil, totalizando 74 mil toneladas no período. Fonte: Estadão. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.