09/Mar/2026
As exportações brasileiras de proteína animal iniciaram 2026 com desempenho positivo, impulsionadas principalmente pela carne bovina, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em fevereiro, os embarques de carne bovina registraram crescimento de 24% na comparação anual, enquanto a receita em reais avançou 27,8%, alcançando aproximadamente R$ 6,9 bilhões. O resultado refletiu também a valorização do produto no mercado internacional, com o preço médio atingindo US$ 5,6 por quilo, aumento de 14,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O cenário global segue favorável ao Brasil, sustentado pela restrição da oferta mundial de carne bovina. Nos Estados Unidos, o ciclo pecuário atravessa um dos níveis mais baixos em décadas, o que contribui para a manutenção de preços elevados e reforça a competitividade brasileira no comércio internacional. No segmento de carne de frango, o desempenho foi mais moderado. O volume exportado aumentou 5,5% na comparação anual, enquanto a receita em reais apresentou queda de 1%, influenciada pela valorização do real frente ao dólar.
No mercado doméstico, os preços permanecem pressionados. O frango congelado tem sido comercializado, em média, a R$ 7,06 por quilo, aproximadamente 20% abaixo do patamar observado antes do surto de gripe aviária. Nesse contexto, o setor avalia se o nível atual representa um piso de preços, fator que pode limitar a recuperação das margens das empresas. Fatores geopolíticos também adicionam incerteza ao segmento. O Oriente Médio responde por cerca de 25% das exportações brasileiras de frango e eventuais tensões envolvendo o Irã podem afetar rotas logísticas próximas ao Estreito de Ormuz, com potencial elevação dos custos de frete e seguro, além de atrasos pontuais nas entregas.
Apesar desses riscos, a dependência estrutural dos países do Golfo Pérsico por importações de alimentos tende a sustentar a demanda pelo frango brasileiro. Nesse ambiente, o custo da ração, especialmente do milho, permanece como fator determinante para a rentabilidade das empresas do setor. As exportações de carne suína também apresentaram expansão em volume. Em fevereiro, os embarques alcançaram 104 mil toneladas, alta de 3,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os preços internacionais permaneceram praticamente estáveis, próximos de US$ 2,5 por quilo, resultando em receita de US$ 252 milhões, avanço de 3,3%. Outro fator relevante foi a valorização do real. Em fevereiro, a moeda brasileira registrou média de R$ 5,20 por dólar, ante R$ 5,77 no mesmo mês de 2025, apreciação de aproximadamente 9,8%. Esse movimento reduz a conversão das receitas externas para reais, o que pode afetar a percepção dos resultados financeiros das empresas exportadoras, mesmo diante de demanda externa consistente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.