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09/Mar/2026

Carnes: exportação em alta não evita pressão nas margens

As exportações brasileiras de proteínas animais apresentaram desempenho positivo em fevereiro, com avanço nos volumes embarcados das principais carnes. Apesar do crescimento da demanda externa, a rentabilidade da indústria permaneceu pressionada, sobretudo no segmento de carne bovina, em razão da valorização do boi gordo e da apreciação do real frente ao dólar.

No mercado de carne bovina, os embarques do Brasil alcançaram 236 mil toneladas em fevereiro, aumento de 1,8% em relação a janeiro e de 23,9% na comparação anual. Os preços médios de exportação também registraram valorização, atingindo US$ 5.641 por tonelada, avanço de 1,2% frente ao mês anterior e de 14,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mesmo com a melhora nos volumes e nos preços externos, as margens de exportação da carne bovina recuaram 8% em relação a janeiro. O principal fator foi o aumento de 7% no preço do boi gordo no período, elevando os custos de aquisição de matéria-prima para as indústrias frigoríficas. No mercado doméstico, as margens também apresentaram retração, com queda de 4% no mês.

A elevação dos preços do gado pode refletir fatores ligados ao comércio internacional, incluindo tarifas aplicadas pela China, além de sinais de retenção de animais no campo. No acumulado do ano, os preços do gado registram alta de aproximadamente 10%, indicando possível início de um movimento de retenção de matrizes e redução da oferta imediata de animais para abate.

No segmento de carne de frango, as condições de mercado apresentaram melhora gradual, impulsionadas pela normalização das compras chinesas. As exportações brasileiras totalizaram 461 mil toneladas em fevereiro, com crescimento de 7% em relação a janeiro e de 5,5% na comparação anual. Os preços médios de exportação avançaram 4,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, com destaque para o mercado chinês, onde os valores ficaram cerca de 14% mais elevados.

Apesar desse movimento, a valorização do real frente ao dólar reduziu o efeito positivo das vendas externas quando convertidas em moeda brasileira. Ainda assim, os spreads de exportação da carne de frango avançaram 1% no mês, enquanto as margens no mercado doméstico aumentaram 3%, favorecidas pela redução nos custos de produção.

No caso da carne suína, os embarques brasileiros alcançaram 104 mil toneladas em fevereiro, alta de 3,9% em relação a janeiro e de 3,2% na comparação anual. Embora os volumes tenham crescido, os preços médios internacionais permaneceram praticamente estáveis em dólares, enquanto as margens apresentaram recuo. Na comparação mensal, os preços da carne suína caíram 14% e as margens diminuíram 11%, refletindo aumento da oferta no mercado doméstico.

Nos Estados Unidos, o ambiente também permanece desafiador para a indústria de carne bovina. As margens do setor continuam próximas de mínimas históricas e registraram nova queda de 2% em fevereiro, em meio ao avanço do preço do gado. Os custos do rebanho estão cerca de 18% mais elevados na comparação anual, cenário associado ao ciclo de retenção de animais, que tende a manter a oferta restrita.

Para a indústria de frango norte-americana, houve recuperação das margens em fevereiro, com alta de 8% frente a janeiro. Ainda assim, o movimento segue o padrão sazonal do período e os spreads permanecem aproximadamente 16% abaixo dos níveis observados no mesmo mês do ano anterior. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.