09/Mar/2026
As exportações brasileiras de proteínas animais registraram desempenho acima do esperado em fevereiro, com volumes embarcados superiores às projeções para carne bovina, frango e suínos. Avaliação de mercado indica que, apesar do início de ano positivo, o ambiente global tende a se tornar mais complexo ao longo de 2026, em meio a riscos geopolíticos, mudanças nas políticas comerciais e possíveis pressões sobre a demanda internacional. Entre os fatores que ampliam as incertezas no cenário externo estão as salvaguardas aplicadas pela China às importações de carne bovina, a implementação de novas tarifas globais de 15% pelos Estados Unidos e o agravamento das tensões no Oriente Médio.
Mesmo diante desses elementos, as projeções atuais para os embarques das diferentes proteínas foram mantidas. Destaque para divergência entre o comportamento dos mercados doméstico e internacional. No mercado interno, as cotações apresentam tendência de queda, enquanto os preços praticados nas exportações permanecem relativamente estáveis. Esse diferencial tende a estimular maior direcionamento da produção brasileira para o mercado externo ao longo do ano. Apesar das incertezas, o equilíbrio global entre oferta e demanda continua sendo avaliado como favorável à sustentação dos preços internacionais das proteínas animais. Ainda assim, o ambiente de negócios em 2026 tende a exigir maior cautela por parte dos exportadores.
As exportações brasileiras de carne bovina registraram crescimento de 24% em fevereiro na comparação anual, desempenho superior à expectativa de expansão de 18% estimada anteriormente. O resultado ocorre mesmo em um momento de retração no ciclo pecuário brasileiro. O ritmo das compras chinesas no início do ano figura entre os principais fatores de sustentação dos embarques. As importações da China mantêm crescimento em dois dígitos no acumulado dos primeiros meses de 2026, mesmo diante de limites menores de cotas para o ano. Esse movimento pode alterar o padrão sazonal tradicional das importações do país asiático, normalmente concentradas no segundo semestre. No mercado internacional, as cotações da carne bovina apresentaram leve alta no mês.
Nas exportações de carne de frango, o volume embarcado em fevereiro avançou 5% em relação ao mesmo mês de 2025, superando a expectativa de retração de 8%. O desempenho reflete, em parte, a recuperação gradual das vendas para a China após os impactos anteriores associados à Influenza Aviária. Pela primeira vez em dez meses, os embarques para o mercado chinês superaram o volume registrado no mesmo período do ano anterior. Mesmo sendo um mês mais curto, fevereiro também apresentou aumento nas vendas externas na comparação com janeiro para destinos relevantes, como China, União Europeia e Japão. No mercado internacional, os preços do frango permanecem sustentados, enquanto o mercado doméstico apresenta movimento inverso, com recuo das cotações em relação às máximas observadas em dezembro.
As exportações brasileiras de carne suína cresceram 4% em fevereiro ante igual mês de 2025, também superando a expectativa anterior de queda de 7%. O desempenho segue sendo impulsionado principalmente pela demanda do Sudeste Asiático. A região respondeu por 41% das exportações brasileiras da proteína no período, com forte concentração nas Filipinas, que representam 83% das importações do bloco regional. Apesar do crescimento dos volumes embarcados, os preços de exportação da carne suína apresentam pressão baixista. As cotações registram queda na comparação trimestral e já se encontram abaixo dos níveis observados em 2025. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.