09/Mar/2026
Segundo o Rabobank, o mercado global de lácteos permanece amplamente abastecido, com níveis elevados de produção que seguem pressionando as cotações internacionais da categoria. A produção de leite continua em expansão nas principais regiões exportadoras globais, com exceção da Austrália. O avanço da oferta foi favorecido principalmente pelos custos relativamente baixos de alimentação animal, fator que estimulou produtores a ampliar a produção e manter o mercado global com elevada disponibilidade de matéria-prima. O aumento da oferta teve impacto direto sobre os preços internacionais dos derivados lácteos. Os mercados de gordura registraram as maiores quedas, com recuo superior a 40% entre setembro e fevereiro. O leite em pó integral acompanhou a tendência e acumulou retração próxima de 30% no mesmo intervalo. Por outro lado, os produtos com maior teor de proteína apresentaram desempenho relativamente mais resiliente.
Mercados como os de leite em pó desnatado, queijos e soro de leite registraram recuos mais moderados, em torno de 15%. No caso do soro, as cotações chegaram a registrar avanços, sustentadas pela demanda por produtos proteicos de maior valor agregado. Mais recentemente, o mercado começou a apresentar sinais iniciais de recuperação. Resultados positivos consecutivos nos leilões da Global Dairy Trade e desempenhos mais firmes nos eventos GDT Pulse contribuíram para melhorar o sentimento entre os agentes do setor. Apesar desse movimento, os níveis atuais de oferta ainda não indicam uma recuperação estrutural consistente. A produção de leite na União Europeia, nos Estados Unidos, na América do Sul e na Nova Zelândia permanece acima dos níveis registrados no ano anterior, mantendo elevada a disponibilidade global de produtos lácteos. Após um período prolongado de queda nas cotações, o movimento recente de recuperação é interpretado como um sinal positivo para o setor, indicando possibilidade de retomada gradual dos preços.
Para os próximos meses, a tendência é de um processo de ajuste progressivo do mercado. À medida que as margens nas propriedades rurais enfrentam maior pressão e as bases de comparação com o ano anterior se tornam menos favoráveis após o primeiro trimestre, a expectativa é de um equilíbrio mais apertado entre oferta e demanda. A projeção do Rabobank indica que a produção de leite dos sete principais exportadores globais deve encerrar 2026 com crescimento de apenas 0,2% em relação ao ano anterior, após expansão de 2,6% registrada em 2025. Essa desaceleração é atribuída principalmente à perda de ritmo da oferta em regiões como América do Sul, Austrália e China. Na Europa, a produção de leite deve apresentar retração de cerca de 0,9%, com impactos mais perceptíveis ao longo do ano, especialmente nos mercados de manteiga e leite em pó desnatado. Nos Estados Unidos, as margens dos produtores seguem sustentadas pelos preços elevados da carne bovina, fator que tende a manter a expansão da produção leiteira ao longo de 2026.
Nesse caso, o crescimento deverá ser direcionado principalmente à fabricação de queijos, com destaque para muçarela e cheddar, além do soro de leite. Pelo lado da demanda, as condições econômicas em importantes regiões importadoras, sobretudo na Ásia, permanecem favoráveis para a continuidade das compras no mercado internacional. Ainda assim, o relatório destaca que a instabilidade geopolítica representa um fator de risco relevante para o comércio global. Tensões envolvendo países como Irã e Ucrânia podem provocar interrupções temporárias no fluxo internacional de produtos lácteos. O Oriente Médio, por exemplo, figura como um importante destino para importações de leite em pó, produtos lácteos enriquecidos com gordura e leite evaporado, motivo pelo qual o setor acompanha de perto a evolução do cenário geopolítico. Fonte: Rabobank. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.