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10/Mar/2026

Boi: conflito no Oriente Médio tem impacto limitado

As tensões no Oriente Médio e as especulações sobre eventual fechamento do Estreito de Ormuz tendem a ter impacto limitado sobre as exportações brasileiras de carne bovina. As principais rotas utilizadas pelo Brasil para envio do produto aos mercados internacionais não passam pela região afetada pelo conflito, reduzindo a exposição logística da cadeia exportadora. A China, principal destino da carne bovina brasileira, responde por quase 50% dos embarques do produto. A principal rota utilizada para esse mercado parte do Brasil contornando o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, sem necessidade de passagem pelo Estreito de Ormuz. Outros mercados relevantes para a carne bovina brasileira também operam com rotas logísticas fora da região afetada.

Entre os destinos com maior participação nas exportações estão Estados Unidos, Chile e México, cujos fluxos comerciais ocorrem por trajetos marítimos que não dependem do Estreito de Ormuz. Mesmo considerando os países do Oriente Médio, a participação desse bloco nas exportações brasileiras de carne bovina apresenta peso relativamente limitado. Em 2025, a região respondeu por 6,8% da receita e por 6,5% do volume exportado pelo Brasil. Ao considerar apenas países localizados no entorno do Estreito de Ormuz, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, a participação nas vendas externas brasileiras cai para menos de 4%. Nesse contexto, eventuais impactos logísticos decorrentes do conflito tendem a resultar principalmente em ajustes nas rotas comerciais, sem necessariamente interromper o fluxo de compras desses países.

O próprio Estreito de Ormuz apresenta participação relativamente pequena no transporte global de contêineres. Embora seja uma rota estratégica para o comércio internacional de energia, especialmente petróleo e gás natural, sua participação no fluxo global de contêineres é estimada entre 2% e 3%. Parte das reações observadas no mercado brasileiro tem sido associada a interpretações consideradas precipitadas sobre os efeitos do conflito no comércio internacional de carne bovina. Esse movimento ocorre em um momento de menor oferta de animais para abate e de redução nas escalas de frigoríficos. Até o início de março de 2026, o mercado do boi gordo vinha apresentando desempenho positivo no Brasil. Entre janeiro e o início de março, os preços do boi gordo acumularam alta de 9,1%, sustentados pela maior concorrência pela compra de animais, pela demanda interna consistente e pelo bom ritmo das exportações.

O ambiente de maior incerteza ganhou intensidade após ataques envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã e diante das especulações sobre um possível fechamento do Estreito de Ormuz. Esses acontecimentos ampliaram as discussões sobre potenciais impactos no mercado do boi gordo no Brasil. Apesar do cenário geopolítico mais sensível, a avaliação predominante indica que os efeitos diretos sobre o comércio exterior da carne bovina brasileira tendem a ser limitados, embora o acompanhamento da evolução do conflito e de seus reflexos sobre os mercados globais permaneça relevante para a cadeia produtiva. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.