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10/Mar/2026

Boi: guerra no Oriente Médio e impactos no mercado

O Conflito no Oriente Médio reduz ritmo das compras de frigoríficos, eleva custos logísticos e cria incerteza para exportações brasileiras de carne bovina. Em 1º de março, os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. A intensificação das tensões deslocou o debate para além da dimensão militar e descortinou preocupações sobre os impactos econômicos e comerciais associados ao conflito. Nesse contexto, a cotação do boi gordo, que vinha subindo, perdeu velocidade, não caiu, mas deixou de subir. As indústrias puxaram o freio de mão e reduziram as compras. Ao longo dos últimos 11 anos o Oriente Médio tem sido um importante canal de escoamento para a carne bovina brasileira.

Em 2026, a região respondeu por 8,5% da exportação brasileira. Em 2025, essa participação foi de 6,8%, com destaque para a Arábia Saudita como principal comprador. Em 2025, a receita com exportação foi de US$1,18 bilhão e de janeiro a fevereiro de 2026, foi de US$236,01 milhões. Contudo, mais do que a demanda direta do bloco econômico, a preocupação do mercado está relacionada às complicações logísticas para o transporte internacional de cargas. Dois gargalos importantes do comércio internacional concentram a preocupação com o Estreito de Ormuz e o de Bab el-Mandeb, rota de acesso ao Canal de Suez. O fechamento do Estreito de Ormuz, por exemplo, provocará desvios de rota, aumento no custo do frete marítimo e elevação dos prêmios de seguro no transporte internacional.

Entre 30,0% e 40,0% da carne bovina exportada pelo Brasil passa pelo oriente médio (Abiec), sobretudo nas viagens com destino ao Sudeste Asiático. Caso o conflito e bloqueios se prolonguem, uma parcela relevante da carne bovina exportada enfrenta dificuldades, comprometendo ou atrasando a comercialização. Além das consequências diretas, outros impactos ocorrem por meio do mercado energético e dos fertilizantes. Conflitos na região tendem a incorporar um prêmio de risco às cotações internacionais do petróleo, pressionando os custos de combustíveis e, consequentemente, elevando os custos ao longo da cadeia do agronegócio.

Como exemplo, em 4 de março, a ureia granulada (UMEc1) foi cotada a US$ 597,00 por tonelada, alta de 25,4% em relação ao mesmo período do mês anterior. Já o barril de petróleo Brent, cotado em US$ 84,24, subiu 25,5% frente ao mesmo período do mês anterior. Nunca, na história recente, rotas marítimas do Oriente Médio foram fechadas. O cenário aumenta a incerteza para o comércio internacional. Duas hipóteses podem ser consideradas. Caso o conflito se resolva de forma rápida, é possível que os impactos no mercado do boi gordo e em diversos outros mercados sejam limitados. Com a reabertura plena da rota marítima e a normalização do transporte internacional, um cenário de demanda mais aquecida pode ser retomado.

Nesse caso, observaríamos uma dinâmica de compras firme no curto prazo. Por outro lado, um prolongamento das instabilidades pereniza as pressões sobre a logística, energia e custos operacionais, com reflexos sobre margens e competitividade da exportação brasileira. O bloqueio nas rotas marítimas do Oriente Médio preocupa o mercado. Até 40,0% da carne bovina exportada pelo Brasil passa pela região. A interrupção dessas rotas eleva o custo do frete e do seguro e pode atrasar ou até inviabilizar embarques. Ao mesmo tempo, a alta do petróleo e dos fertilizantes pressiona os custos da agropecuária. Fonte: Alcides Torres. Broadcast Agro.