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11/Mar/2026

Frango: disrupções no comércio global de carne

O Rabobank alertou em relatório que o conflito no Irã pode provocar disrupções relevantes no comércio global de carne de frango, especialmente para exportadores, como o Brasil, por causa de problemas logísticos e possíveis restrições de oferta no Oriente Médio. O estudo destaca que a região é um dos principais polos de crescimento da proteína avícola no mundo e absorve parcela relevante do comércio internacional. O Oriente Médio responde por cerca de 8% do mercado global de frango e quase 15% do comércio internacional, além de representar aproximadamente 10% da expansão da produção mundial. O consumo continua em crescimento, impulsionado por aumento populacional e programas de segurança alimentar. O frango é a principal proteína animal da região, representando cerca de 55% da ingestão total de proteína, com avanço anual próximo de 3%. Apesar de investimentos relevantes na produção local, a região ainda depende de importações. Aproximadamente 22% do consumo de carne de frango é atendido por compras externas, o que amplia a vulnerabilidade em momentos de crise logística.

Países do Golfo, como Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, estão entre os mais dependentes desse abastecimento externo. Um dos principais riscos apontados no relatório envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio regional. Países como Irã, Kuwait, Omã, Iraque, Bahrein e Emirados Árabes Unidos são considerados os mais expostos a eventuais interrupções de transporte. O surto da guerra envolvendo o Irã já interrompeu cadeias de suprimento, fluxos comerciais e a disponibilidade de insumos, pressionando mercados que dependem de importações. Os impactos vão além da carne em si. O setor avícola regional depende de importações de milho, soja, aminoácidos, vitaminas, vacinas e equipamentos, e eventuais atrasos nesses insumos podem comprometer a produção local. Embora estoques atuais ofereçam algum alívio no curto prazo, uma interrupção prolongada nas rotas comerciais poderia afetar a oferta de frango e elevar preços na região. O estudo destaca a exposição de grandes exportadores globais. Cerca de 15% do comércio mundial de carne de frango tem como destino o Oriente Médio, sendo o Brasil o país mais dependente desse mercado.

Aproximadamente 35% do valor das exportações brasileiras, entre 80 mil e 100 mil toneladas por mês, é direcionado à região. Com a logística comprometida, exportadores podem ser obrigados a redirecionar cargas para outros destinos, possivelmente com descontos. Exportadores que enfrentarem dificuldades para embarcar para o Oriente Médio podem ser forçados a vender para outros mercados a preços significativamente menores. Em contrapartida, produtores locais que conseguirem manter suas operações podem se beneficiar temporariamente de preços mais elevados, diante de restrições de oferta. No médio prazo, a tendência é de intensificação dos investimentos em produção regional para reduzir a dependência de importações e aumentar a segurança alimentar, movimento que já vem sendo incentivado por governos do Golfo. A magnitude desses efeitos dependerá principalmente da duração e da escalada do conflito, que determinarão o nível de interrupção no comércio e no abastecimento da região. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.