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09/Apr/2026

Boi: salvaguarda da China impacta mais o Brasil

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a imposição de salvaguardas pela China sobre a importação de carne bovina teve caráter predominantemente político e resultou em impacto desproporcional sobre o Brasil. Embora a medida tenha sido aplicada de forma ampla a todos os países exportadores, a redução mais significativa nas cotas atingiu o Brasil. O volume destinado ao mercado chinês passou de cerca de 1,7 milhão de toneladas em 2025 para 1,106 milhão de toneladas em 2026, enquanto outros fornecedores relevantes mantiveram níveis próximos aos anteriores.

A leitura do setor é de que a decisão refletiu uma estratégia baseada na dependência comercial brasileira em relação ao mercado chinês, concentrando os efeitos sobre o principal fornecedor. A justificativa oficial de proteção ao setor doméstico chinês é considerada insuficiente do ponto de vista técnico, uma vez que as dificuldades competitivas estariam mais relacionadas à pecuária local do que à indústria. A adoção de uma salvaguarda global, em vez de instrumentos específicos como medidas antidumping, também é vista como um indicativo de caráter atípico da decisão, ao diluir o direcionamento formal, mas manter efeitos concentrados.

Diante desse cenário, o setor brasileiro tem reforçado a interlocução com o governo federal para buscar uma resposta no campo diplomático, com foco na negociação de condições mais equilibradas de acesso ao mercado chinês. Apesar das restrições, a avaliação é de que o quadro pode ser ajustado ao longo do tempo, caso haja necessidade de recomposição de oferta por parte da China. Ainda assim, a leitura predominante é de que decisões desse tipo tendem a incorporar fatores geopolíticos além de critérios estritamente econômicos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.