16/Apr/2026
Segundo o Itaú BBA, o setor de carne de frango deve manter um cenário relativamente positivo em 2026, sustentado pela forte demanda externa e pela elevada competitividade frente à carne bovina. Apesar da pressão recente sobre os preços no mercado interno, o espaço para novas quedas tende a ser limitado, ainda que persistam riscos associados à logística internacional e aos custos de produção. No mercado doméstico, março foi marcado por recuo nas cotações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado foi negociado a R$ 7,00 por Kg, queda de 2,4% em relação a fevereiro e de 17% na comparação anual. No início de abril, houve reação, com os preços alcançando R$ 7,25 por Kg, indicando possível ajuste após a fase de desvalorização. A proteína avícola ampliou sua competitividade em relação às demais carnes. Frente à carne bovina, a relação superou 3,00 por Kg de frango por kg de dianteiro, cerca de 30% acima da média histórica para março e acima de níveis recentes.
Em relação à carne suína, a competitividade permaneceu próxima da média histórica. As exportações seguem como principal vetor de sustentação. Em março, os embarques de carne de frango in natura totalizaram 431 mil toneladas, alta de 5,6% na comparação anual. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 4,9%. O desempenho ocorreu mesmo diante de desafios logísticos associados ao conflito no Oriente Médio, que afetaram parte dos fluxos comerciais. A estratégia de redução de 2,7% no preço médio de exportação contribuiu para redirecionar volumes a outros mercados, compensando a retração em destinos do Oriente Médio. Países como Japão, China, Filipinas e África do Sul mantiveram a demanda aquecida, garantindo sustentação ao setor. Pelo lado da oferta, os abates avançaram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre, sem indicação de excesso de produto no mercado interno.
Esse equilíbrio contribui para limitar pressões adicionais sobre os preços. Para os próximos meses, o setor segue resiliente, embora exposto a riscos relevantes. Entre eles, destacam-se a instabilidade logística em rotas estratégicas para exportação e as incertezas relacionadas à produção de milho da 2ª safra, principal componente dos custos de ração. No cenário internacional, a produção de carne de frango na China deve crescer 4,8% em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas, ampliando a participação do país no mercado global. Ainda assim, a avicultura brasileira tende a manter competitividade, especialmente frente à carne bovina, com perspectiva de estabilidade a leve recuperação dos preços ao longo do ano, sustentada pela demanda externa e pelo equilíbrio entre oferta e consumo interno. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.